Título: Paraná teve o maior registro de problemas
Autor: Pompeu, Carmen
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/11/2010, Vida, p. A24
O Estado do Paraná concentra, até agora, o maior número de casos de problemas notificados durante a aplicação do Enem. Antes de a Justiça Federal do Ceará conceder liminar determinando que todos os alunos que se sentirem prejudicados poderão refazer a prova, a checagem das atas das salas orientaria o MEC a dimensionar a quantidade de prejudicados e a definir a data da nova avaliação.
"É um trabalho de garimpagem, de sala por sala", afirmou ontem o ministro Fernando Haddad, ao falar à Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados. Mas, segundo ele, o processamento das 128 mil atas será rápido.
Haddad afirmou que, embora a maioria das atas não revele ocorrências, o trabalho está sendo feito com cautela, "para que não escape nada". De acordo com o ministro, o novo Enem será custeado pela gráfica RR Donnelley, que assumiu a responsabilidade por falhas na impressão.
Além do Paraná, foram informados problemas com alunos em Sergipe, Distrito Federal, Pernambuco, Minas Gerais e Santa Catarina. Haddad disse que não há um número preliminar de pessoas que registraram problemas nas atas, mas o governo mantém a estimativa de que esse grupo represente 0,1% dos cerca de 3,3 milhões de alunos que se submeteram à avaliação.
"O universo parece circunscrito. É, portanto, factível aplicar agora em dezembro um novo exame a esses estudantes, o que permitirá ao MEC divulgar o resultado no prazo combinado às universidades", afirmou Haddad. Se a liminar da Justiça Federal do Ceará for mantida, o número de estudantes que farão a nova prova pode mudar, assim como a data da aplicação.
O consórcio Cespe/Cesgranrio, responsável pela aplicação do Enem, é capaz de corrigir cerca de 100 mil provas por dia, disse o ministro. O MEC pretende informar as notas de todos os candidatos até 15 de janeiro.
Problemas. Durante a audiência da comissão, o ministro Haddad admitiu que o Enem sempre enfrentou "problemas tópicos". Lembrou que, em outros anos, mais de uma prova foi aplicada - como em 2009, quando foram realizadas três diferentes avaliações. Questionado pela imprensa se continuaria no cargo no governo de Dilma Rousseff, respondeu: "Qualquer resposta a essa pergunta é deselegante com a presidente. Eu não vou cometer essa indelicadeza."