Título: Estrangeiro remete US$ 1 bi por ano do Brasil
Autor: Chade, Jamil
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/11/2010, Economia, p. B4
Segundo o Banco Mundial, o volume de remessas saindo do País mais do que dobrou nos últimos cinco anos
Bolivianos, paraguaios, argentinos, equatorianos e outros trabalhadores estrangeiros que vivem no Brasil já mandam a suas famílias no exterior mais de US$ 1 bilhão por ano. O novo fenômeno está sendo registrado pelo Banco Mundial como um dos sinais da mudança da posição da economia brasileira. Depois de ser por anos um dos principais recipientes de remessas de dinheiro de emigrantes no mundo, o Brasil passou a ser também origem das remessas para o exterior.
Segundo dados publicados pelo Banco Mundial, o volume de dinheiro saindo do País mais do que dobrou nos últimos cinco anos. Grande parte tem origem nos salários pagos a estrangeiros latino-americanos trabalhando em São Paulo e outras metrópoles brasileiras. Só na capital paulista a estimativa é de que existam 200 mil bolivianos.
A expansão registrada no Brasil vai contra a tendência mundial dos últimos três anos. Segundo o Banco Mundial, a recessão internacional gerou uma queda nas remessas de emigrantes pelo mundo e só em 2010 é que o volume de envios voltou a crescer. Com o desemprego atingindo taxas recorde em países que receberam um volume importante de imigrantes nos últimos dez anos, o resultado foi uma queda das remessas em 2008 e 2009.
No ano passado, a contração foi de 5,5%. Para 2010, o Banco Mundial já espera uma recuperação, de 6% e um fluxo total de US$ 325 bilhões. O valor fará com que as remessas terminem o ano num total equivalente a três vezes o tamanho da ajuda que governos ricos dão a países pobres. Há 20 anos, tanto as remessas como a ajuda eram praticamente as mesmas em dólares.
Abalo. A crise acabou atingindo a América Latina de forma mais dura. Com a maioria dos emigrantes da região vivendo no olho do furacão da crise - nos EUA - a queda de remessas em 2009 foi de 12%. Em 2010, a recuperação será de apenas 2%. A alta taxa de desemprego na Espanha também afetou diretamente o envio de recursos para Equador, Colômbia e Bolívia. No caso do Brasil, as remessas de brasileiros vivendo no exterior subiram de US$ 3,5 bilhões em 2005 para US$ 5 bilhões em 2008.
Mas a crise econômica e o desemprego na Europa, Japão e Estados Unidos geraram uma queda ainda maior que a média mundial: de quase 20% no valor enviado de volta ao Brasil em 2009.
Segundo o Banco Mundial, a constatação agora é de que as remessas de brasileiros ao País em 2010 vão ficar estagnadas. Em comparação a 2008, o volume de dinheiro que famílias brasileiras receberão neste ano é quase US$ 900 milhões a menos.
Em 2010, o Brasil deve terminar como 24º maior recipiente de remessas de emigrantes que trabalham no exterior e que, a cada mês, enviam dinheiro para casa.
O número é apenas uma fração dos US$ 55 bilhões que os indianos espalhados pelo mundo mandarão de volta a seu país de origem. A China vem em segundo lugar como maior recipiente, cerca de US$ 51 bilhões. O México está na terceira colocação, com US$ 22,6 bilhões.