Título: Estatal vai comprar 30% do campo de gás boliviano Itaú
Autor: Lima, Kelly ; Pamplona, Nicola
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/12/2010, Economia, p. B6
A Petrobrás confirmou ontem acordo para comprar 30% do campo de gás boliviano Itaú e não descarta uma prorrogação do contrato de importação de gás do País vizinho. O negócio, cujo valor não foi informado, foi justificado pela empresa com a necessidade de garantir o abastecimento do combustível no Brasil. "A questão fundamental na Bolívia é o mercado brasileiro", afirmou o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, em encontro com jornalistas.
Ele ressaltou que, mesmo com a nacionalização do setor de petróleo boliviano, nunca falou em deixar o país, que já foi responsável por 70% do gás consumido em São Paulo. E acenou com a possibilidade de renovação do contrato de importação, que vence em 2019. "Temos contrato com a Bolívia até 2019 e está sendo cumprido. O contrato será mantido, com possibilidade de renegociação." O Brasil importa da Bolívia até 30 milhões de metros cúbicos de gás por dia.
O acordo com a Total depende apenas de aprovação do Congresso boliviano, segundo prevê a legislação local. O negócio foi aprovado por uma primeira comissão na assembleia legislativa e segue agora para análise em plenário. Depois, passará no Senado, antes de ir para sanção do presidente Evo Molares. A expectativa é que o negócio seja aprovado sem restrições, já que o Morales detém larga maioria na assembleia e o acordo é de interesse do governo.
Segundo informações extra-oficiais, Itaú deve começar a produzir na segunda quinzena de janeiro, com 1,5 milhão de metros cúbicos por dia, até atingir 5 milhões de metros cúbicos por dia. Além da Petrobrás e Total, YPFB Chaco e a britânica BG estão no projeto.