Título: Fórum está agora preocupado com as desigualdades sociais
Autor: Chade, Jamil
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/01/2011, Economia, p. B8

Medo é que distância aumente por causa do crescimento em alguns bolsões dos países [br]em desenvolvimento

Davos muda o tom e diz agora que está preocupado com a desigualdade social nos países emergentes, como Índia, China e Brasil. O Fórum Econômico Mundial quer que os emergentes aprendam e sigam o modelo de desenvolvimento dos países escandinavos. Para Davos, que nas últimas décadas foi acusado de reunir apenas a elite do mundo e excluir movimentos sociais, o maior risco hoje é de que a desigualdade social seja ampliada diante do crescimento em certos bolsões dos países em desenvolvimento.

"A inclusão social é um dos grandes desafios dos emergentes nos próximos anos. Precisamos ver como garantir que o crescimento espetacular que esses países têm hoje, como na Índia de quase 10%, seja revertido em benefícios a todos", afirmou Klaus Schwab, presidente do fórum. "Precisamos pensar em modelos de crescimento que sejam inclusivos."

Davos levará ao evento os cinco chefes de governo dos países escandinavos - Dinamarca, Suécia, Finlândia, Noruega e Islândia - para que ensinem aos emergentes como garantir o desenvolvimento "igualitário" de suas economias. "Esses são países modelos. Resistiram à crise com base em modelos de inclusão social. É isso que precisamos buscar nos emergentes", afirmou.

Sobre a América Latina, Davos admite que a região tem chance de ter, na década que começa, seus "anos de ouro". No anúncio de uma das reuniões dedicadas à região, o fórum destaca que 40 milhões de latino-americanos foram retirados da pobreza nos últimos anos. Mas admite que a atual crise pode ter consequências. "Ainda não vimos todas as consequências da crise econômica. O que já vimos é que ela se transformou em uma crise social."

Bombeiro. Para ele, o mundo ainda não encontrou uma forma de governança para lidar com as novas realidades e corre o risco de viver em estado de "letargia", apenas respondendo a crises. "Um dos riscos do mundo hoje é o da síndrome da fatiga, de termos uma governança global que não seja pró-ativa e que nos limitemos a ser bombeiros de problemas e crises, sem um pensamento estratégico para o futuro", afirmou Schwab.

"O mundo mudou radicalmente. O centro do poder está indo do Norte e para o Sul. Temos de encontrar uma forma de estabelecer um sistema que possa ser mais resistente às crises. Um dos grandes riscos que enfrentamos é a incapacidade de gerenciar o mundo em que vivemos."

Para tentar formar a nova governança, Davos emprestará o palco para o presidente francês, Nicolas Sarkozy, apresentar seu plano de presidência do G-20 em 2011. "Temos de trabalhar para ter normas comuns. Só assim poderemos superar juntos essa crise."