Título: Grupo vai manter concessão de trechos leste e sul do Rodoanel
Autor: Pereira, Renée
Fonte: O Estado de São Paulo, 17/02/2011, Economia, p. B9

No início do mês, o Bertin pediu a prorrogação de prazo para depósito, mas diretor garante que contrato será assinado

Ao contrário da desistência do megaprojeto hidrelétrico de Belo monte, o Grupo Bertin garante que vai continuar com a concessão dos Trechos Leste e Sul do Rodoanel de São Paulo ¿ uma das mais importantes obras de infraestrutura do Brasil. No inicio do M~es, a empresa pediu a prorrogação do prazo para o depósito de R$ 360 milhões referente à outorga prevista no edital de licitação.

De acordo com a legislação, a empresa poderia reivindicar mais 30 dias para efetuar o pagamento. ¿Nas últimas seis concessões, os consórcios pediram essa mesma prorrogação. Houve casos em que o depósito ocorreu com 63 dias¿, argumentou o diretor presidente da área de Infraestrutura do Grupo Bertin, Antonio Kelson Elias Filho.

Segundo ele, antes de efetuar o pagamento e assinar o contrato, a empresa preferiu elaborar detalhadamente um relatório com todas as condições do Trecho Sul do Rodoanel, que já está pronto. ¿Vamos receber um ativo pronto. Temos de verificar se existe falhas ou não no pavimento. Caso contrário, se assinarmos o contrato sem detalhar esses fatos, a empresa terá de arcar com os prejuízos.¿

Apesar do adiamento, Kelson garantiu que assinará o contrato no dia 9 de março e não haverá atraso nas obras do Trecho Leste. Ele destacou que o grupo passou 14 meses estudando o projeto e fazendo otimizações nas obras. Por isso, diz o executivo, foi possível dar um lance com 63% de deságio. ¿Foi tudo engenharia, nada demais.¿

Sobre os empréstimos para levar o projeto adiante, ele afirma que as negociações estão em andamento, mas que apenas poderão ser concluídas com a assinatura do contrato em março.

Trem-bala. Em entrevista ao Estado, Kelson falou também da possível participação do grupo no Trem de Alta Velocidade (TAV), entre Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, de R$ 33 bilhões. Apesar das informações de que o Bertin havia desistido de entrar no consórcio coreano, o executivo afirmou que nada está definido. ¿Temos um termo de compromisso com os coreanos e ele ainda está valendo.¿

Kelson e o diretor-presidente da Bertin Energia, José malta, fizeram questão de destacar, entretanto, que hoje a prioridade é concluir os projetos já arrematados pelo grupo nos últimos anos. ¿Estamos sendo muito seletivos nos novos projetos. Os sócios são muito empreendedores, mas também pragmáticos no sentido de ter a certeza que o volume de recursos necessários estará disponível a seu tempo.