Título: Inflação do aluguel acelera alta para 1%
Autor: Sauza, Marcílio , Saraiva, Alessandra
Fonte: O Estado de São Paulo, 26/02/2011, Economia, p. B5
Inflação do aluguel acelera alta para 1%Alta do IGP-M, usado para reajustar o aluguel, chega a 11,3% em doze meses; preços do atacado são os que mais pressionam a taxa
A inflação medida pelo IGP-M acelerou este mês, e subiu 1,00%, após apresentar aumento de 0,79% em janeiro, segundo informou ontem a Fundação Getúlio Vargas (FGV). É a maior taxa desde novembro quando o indicador havia batido em 1,45%. Em dezembro, o índice havia desacelerado para 0,69%.
A taxa acumulada do IGP-M é muito usada no cálculo de reajustes de aluguel. Até fevereiro, o indicador acumula taxas de inflação de 1,80% no ano e de 11,30% em 12 meses.
Entre os três itens que compõem o IGP-M, foras a variações no atacado que mais pressionaram a taxa. O Índice de Preços do Atacado (IPA-M) subiu 1,20% no segundo mês do ano, após avançar 0,76% em janeiro. Por sua vez, o Índice Preços do Consumidor (IPC-M) apresentou aumento de 0,67% este mês, em comparação com a alta de 1,08% no mês passado. Já o Índice Nacional da Construção Civil (INCC-M) registrou taxa positiva de 0,39% em fevereiro, após registrar elevação de 0,37% em janeiro.
Os produtos primários de maneira geral e os agropecuários em particular foram os principais responsáveis pela aceleração do IPA, apontou o coordenador do IGP-M, Salomão Quadros. "O preço médio das matérias-primas brutas agropecuárias, que vem subindo continuamente desde o segundo semestre do ano passado, ficou em fevereiro 19,08% mais alto do que o pico atingido em julho de 2008", observou ele. "As indicações são de que esse movimento ainda pode continuar, por razões de demanda e oferta", explicou. A alta de agropecuários no atacado contrasta com o arrefecimento dos alimentos in natura no varejo.
É o caso, por exemplo, da batata-inglesa, que em fevereiro caiu 9,91% no IPC mas subiu 4,91% no IPA. Ou da banana, cuja alta acelerou de 5,39% para 10,60% entre janeiro e fevereiro no IPA, mas passou de 10,25% para 5,93% no IPC.
"Vejo no curto prazo um risco proveniente de alimentos in natura, por causa de um possível impacto do atacado, mas acredito que o grosso dos alimentos processados dará uma segurada. Carne, frango, açúcar e soja, por exemplo, podem continuar em queda ou próximos à estabilidade", disse Quadros. Ele ressaltou, entretanto, que mesmo os alimentos processados poderão sentir um pouco mais à frente o impacto da força das commodities. "O milho pode encarecer as rações e consequentemente o frango, e o trigo pode pesar sobre as massas."
Varejo. O IPC como um todo arrefeceu de 1,08% em janeiro para 0,67% em fevereiro. "O mês que vem deve trazer novo alívio em Educação, só que menor. Os Transportes deverão assumir esse lugar, desacelerando com mais força, já que neste mês o efeito dos reajustes de transportes coletivos ainda veio forte", apontou Quadros. Entre janeiro e fevereiro, a alta em Educação passou de 2,75% para 1,63%; a variação de Transportes diminuiu de 1,94% para 1,82%.Por fim, o INCC acelerou levemente entre janeiro e fevereiro, passando de 0,37% para 0,39%.