Título: Jovem decide ser voluntário após tomada de Benghazi
Autor: Sant'Anna, Lourival
Fonte: O Estado de São Paulo, 08/03/2011, Internacional, p. A8

Ali Nabussi, de 21 anos, resolve pegar em armas e combater o regime de Kadafi depois de vitória dos rebeldes

Quando os aproximadamente 2 mil jovens apoiados por militares que aderiram ao levante na Líbia botaram para correr, no dia 20, os antes temidos integrantes das forças especiais e invadiram o seu quartel-general em Benghazi, o pacífico Ali Nabussi, de 31 anos, dono de um ferro-velho na cidade, pegou uma farda verde-oliva, um par de coturnos novos, uma mochila de campanha, um fuzil Kalashnikov e um longo pente de munições.

Ontem de manhã, Nabussi vestiu a farda, calçou o coturno, colocou a mochila nas costas, o pente cruzado no peito e o fuzil no ombro e despediu-se de sua mulher e de seus dois filhos pequenos, de 2 anos e 1 ano. Percorreu de carona os 380 quilômetros até a cidade de Ras Lanuf e apresentou-se no posto de controle dos rebeldes:

"Quero ir lutar em Bin Jawad", afirmou ao comando dos insurgentes na região.

Nabussi não cumpriu o serviço militar e nunca havia pegado numa arma de fogo em sua vida. "Como vou defender meus irmãos que estão sendo assassinados, acredito que Alá me mostrará como usar a arma", afirmou ele. "Claro que minha mulher ficou preocupada, mas ou venho para cá agora ou (o ditador Muamar) Kadafi vai nos matar em Benghazi."

Como Nabussi, muitos moradores de Benghazi e de outras cidades do leste do país têm atendido aos chamados de líderes islâmicos e dos combatentes para avançar para o oeste - ou impedir o avanço das forças do regime para o leste. "Não posso ficar assistindo de braços cruzados enquanto meus irmãos estão morrendo."