Título: Otan avalia opção militar, diz Obama
Autor: Sant'Anna, Lourival
Fonte: O Estado de São Paulo, 08/03/2011, Internacional, p. A8

Organização estuda série de alternativas, até mesmo o envio de armas aos rebeldes

Em meio a pressões para agir na crise da Líbia, o presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou ontem que a Otan passou a analisar uma opção militar para conter as ações de Muamar Kadafi contra os opositores, até mesmo o envio de armas aos rebeldes. Em Bruxelas, líderes diplomáticos da organização acrescentaram que a aliança não poderá se manter passiva se o líder líbio continuar atacando a população.

Emilio Morenatti/APFuga. Refugiado perto da fronteira da Líbia com a Tunísia: pedido de ajuda "Quero enviar uma mensagem clara aos que estão ao redor do coronel Kadafi - é uma opção deles como querem operar, mas serão responsabilizados se a violência continuar", disse o presidente americano na Casa Branca. Segundo Obama, "a Otan está realizando consultas em Bruxelas sobre uma série de alternativas, incluindo possíveis opções militares em resposta à violência na Líbia". O presidente acrescentou que seu governo enviou cerca de US$ 15 milhões em ajuda a organizações que já estão atuando em ações humanitárias no território.

Horas antes, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, afirmou que Obama não tirou da mesa nenhuma opção, mas acrescentou que "o envio de tropas não está no topo da lista". O mais provável, segundo ele, será o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea e o armamento dos rebeldes líbios, em ações coordenadas com a Otan e a ONU.

O secretário-geral da aliança atlântica, Anders Fogh Rasmussen, disse que "se Kadafi e suas forças continuarem atacando sistematicamente a população, a comunidade internacional não poderá simplesmente ficar sentada e observar". "A Otan não tem a intenção de intervir, mas como organização de segurança, nossa obrigação é ter um plano prudente para qualquer eventualidade", afirmou, acrescentando que qualquer ação precisaria contar com o aval da ONU.

Dentro da Otan, um dos principais obstáculos é a Turquia, que possui o segundo maior contingente militar da organização. O governo turco deixou claro que descarta qualquer possibilidade de intervenção militar na Líbia. No Conselho de Segurança da ONU, os americanos enfrentam resistência da China, que possui poder de veto.

Uma ação unilateral dos EUA não vem sendo considerada pela Casa Branca. O país está envolvido em conflitos no Iraque e no Afeganistão e o governo não estaria disposto a mais uma operação militar de grandes proporções que poderia afetar ainda mais a imagem perante a opinião pública internacional, sem falar nas dificuldades logísticas.

Enquanto analisa as opções, a Otan determinou a ampliação dos voos não tripulados de vigilância sobre a Líbia. A expansão indica que já há um plano de contingência caso seja necessário intervir militarmente no país.