Título: Desemprego nos EUA é o menor desde 2009
Autor: Netto, Andrei
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/04/2011, Economia, p. B11
A mais recente taxa de desemprego nos Estados Unidos, de 8,8% em março, animou o governo americano, mas não afastou as dúvidas dos analistas sobre a recuperação da economia e do mercado de trabalho no país. Apenas 0,1 ponto porcentual menor ao de fevereiro passado, o indicador de março foi alcançado graças à geração de 216 mil postos no setor privado não agrícola, dos quais a metade é considerada de baixa qualidade, como temporários e de pequena remuneração. Ainda assim, trata-se da menor taxa de desemprego desde março de 2009, quando atingiu 8,6%.
Em discurso em Maryland, o presidente dos EUA, Barack Obama, comemorou o indicador como um "sinal de real fortalecimento da economia americana", depois da "maior recessão jamais vista". Para a secretária de Trabalho, Hilda Solís, o número respondeu ao sucesso das políticas de recuperação econômica adotadas pelo governo. O número de março completou um período de quatro meses de queda intensa do desemprego, comparável apenas ao verificado em 1984.
"Apesar das boas notícias, nós temos muito trabalho a fazer. Há ainda milhões de americanos procurando um emprego para pagar as contas", afirmou Obama, referindo-se aos 13,5 milhões de trabalhadores desempregados no país.
Segundo Mark Brenner, diretor da organização sindical Labor Notes, um exame mais cuidadoso da geração de empregos oferece "menos razão para alegria" e mostra as "raízes fracas da recuperação". "Se o americano desempregado está procurando um trabalho para ajudá-lo a pagar a hipoteca ou a faculdade dos filhos, está sem sorte", afirmou, ao chamar a atenção para a quantidade de empregos de baixa qualidade. "Se você acha que pode recuperar a economia em torno da contratação de mais caixas para a Home Depot ou de recepcionistas para o Walmart, precisa reexaminar suas ideias", completou.
Conforme os dados disponíveis, dos 216 mil novos postos de trabalho, 78 mil foram gerados por empresas prestadoras de serviços. Desse conjunto, 28 mil corresponderam a empregos temporários. No setor hoteleiro, foram criadas 37 mil vagas e, na indústria manufatureira, 17 mil. Os setores de saúde e de mineração continuaram abrindo postos. Em março, foram 37 mil e 14 mil, respectivamente.