Título: Itália inicia retirada de 6 mil ilegais da Ilha de Lampedusa
Autor: Netto, Andrei
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/04/2011, Internacional, p. A10

Berlusconi prometeu ''limpar'' região de cidadãos que fugiram da África; imigrantes devem ir para detenções no país

A Itália começou a retirar os imigrantes ilegais da Ilha de Lampedusa, enquanto a ONU alerta para o drama vivido pelos que tentam fugir dos conflitos no Norte da África. Ontem, 12 imigrantes que tentaram escapar da Tunísia foram encontrados mortos no Mar Mediterrâneo, depois que seu barco, que seguia para Lampedusa, naufragou. Outras 18 pessoas estão desaparecidas. Na mesma noite, outros 300 imigrantes foram resgatados pela Marinha tunisiana na região.

Desde o início da crise política na Tunísia, em dezembro, 18 mil pessoas fugiram para a Europa, cruzando o mar em barcos precários até Lampedusa. Apesar da retirada dos ilegais para centros de detenção na península italiana, restam 6 mil imigrantes na pequena ilha, com um população local de 5 mil habitantes.

Há dois dias, o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, viajou até o local e prometeu "limpar o problema" e remover os imigrantes até o final da semana. Comprou uma casa na região para mostrar sua solidariedade e prometeu indicar Lampedusa para o Prêmio Nobel da Paz.

Ontem, a ação do governo começou. Pelo menos 2,8 mil imigrantes foram retirados, ainda que seus destinos sejam mantidos em sigilo. A Itália mantém dezenas de centros de detenção para imigrantes no país.

Nem todos tiveram a mesma sorte. Na madrugada de quarta-feira, um barco que havia saído da Líbia rumo à Europa, com imigrantes da Somália, Sudão e Bangladesh, teve de ser resgatado. Um vazamento na embarcação abortou a viagem e os imigrantes foram levados para a fronteira terrestre entre a Tunísia e a Líbia, onde milhares de pessoas aguardam uma definição em relação a sua situação.

Para a ONU, o gesto político de Berlusconi não é suficiente. "Não é possível continuar assim, sem uma política clara para lidar com esse fluxo de pessoas", afirmou Laura Boldrini, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Refugiados. A organização acredita que a região viverá "semanas dramáticas" e governos europeus terão de encontrar soluções para a crise.

Outra constatação dos grupos de ajuda humanitária é que a situação no continente não é melhor do que em Lampedusa. Há poucos dias, 3,5 mil tunisianos que estavam sendo mantidos em um acampamento na fronteira entre a Itália e França conseguiram derrubar as grades que os mantinham no centro e fugiram para o território francês.

Paris, de sua parte, rejeitou a proposta italiana de compartilhar os imigrantes e uma batalha diplomática em torno do futuro dos refugiados ainda está longe de uma solução. Ontem, o ministro de Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, acusou a França de "grave falta de solidariedade".

Superlotação

6 mil imigrantes são mantidos na ilha

5 mil é a população de Lampedusa

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