Título: Modelos novos estão adaptados, mas antigos devem sair de linha
Autor: Silva, Cleide
Fonte: O Estado de São Paulo, 04/04/2011, Economia, p. B12
A maioria dos novos modelos desenvolvidos pelas montadoras já está preparada para receber como itens de série airbags, freio ABS e rastreador, hoje oferecidos, em grande parte, como opcionais. Os automóveis já em produção terão seus projetos alterados para se adaptarem à exigência. Os mais antigos, como Mille, Classic e Kombi devem sair de linha, pois os custos para a introdução dos sistemas de segurança não são viáveis.
No caso da Kombi, a Volkswagen busca uma solução mas, segundo fontes, ainda não encontrou uma alternativa viável.
Uma das preocupações das fabricantes é com o custo. De acordo com cálculos das empresas, os três itens devem encarecer o preço final do carro entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil, o equivalente hoje a mais de 10% do valor de um modelo popular. Uma alternativa defendida pelas empresas é a desoneração de impostos para itens de segurança. A maior escala produtiva também ajudará a reduzir preços.
"Não somos contra a instalação de itens de segurança, mas nos preocupamos com os custos", diz o diretor da Ford, Rogelio Golfarb. Ele lembra que o setor já enfrenta uma escalada nos custos e, por causa da competição, inclusive com produtos importados, não tem repassado aumentos aos consumidores.
Segundo o executivo, em 2010 a inflação medida pelo IPCA foi de 5,9%, enquanto os preços médios dos carros novos, seguindo o mesmo índice, tiveram queda de 1%.
O diretor da Ford lembra ainda que há uma pressão governamental para a diminuição do consumo de combustíveis e de emissão de poluentes, ações que podem ser obtidas, em parte, com a redução do peso dos carros.
"Ocorre que a introdução desses itens de segurança aumenta o peso do veículo, o que nos coloca uma necessidade de investir mais no desenvolvimento de tecnologias que atendam todas as exigências", ressalta.
Segundo Golfarb, os modelos da Ford já estão preparados para receber airbag e ABS, hoje vendidos como opcionais. A empresa importa as bolsas infláveis dos Estados Unidos e o sistema inteligente de frenagem da Bélgica.
Regras. Para Vagner Galeote, presidente da SAE Brasil, em termos de tecnologia da segurança "o Brasil está se igualando às montadoras globais". Mas alerta que o motorista brasileiro "ainda tem muito a aprender", pois nenhum equipamento pode evitar acidentes se o condutor não seguir regras. "A segurança é uma combinação de infraestrutura, veículos e condutor".
Do total de modelos vendidos pela Renault no País, 25,3% são equipados com airbag - hoje importados, mas a partir do fim do ano serão adquiridos da Takata - e 20,2% com ABS, fornecidos pela Bosch. O modelo Clio, o mais barato da marca, não tem nenhum dos dois itens. Já o sedã médio Fluence, que começou a ser vendido em março, já vem de fábrica com os dois sistemas em 100% da produção.
Como opcional, a Renault disponibiliza um kit composto por dois airbags frontais, freio ABS, volante revestido em couro e terceiro apoio de cabeça traseiro ao preço de R$ 2,65 mil.