Título: Ameaça de 'mafia da merenda' a promotor faz MP criar forma-tarefa
Autor: Recondo, Felipe; Macedo, Fausto
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/04/2011, Nacional, p. A7

Hélio Daldegan estaria sendo intimidado por conta das investigações; MPE criou força-tarefa para apurar o caso

O Estado de S.Paulo

O Ministério Público Estadual (MPE) decidiu criar uma força-tarefa para investigar ameaças a um de seus integrantes por causa das investigações sobre a máfia da merenda. O promotor Hélio Daldegan, de Porto Ferreira (SP), estaria sofrendo intimidações. A cidade é administrada pelo petista Maurício Rasi.

"Em 2009, o Ministério Público solicitou e a prefeitura entregou todas as cópias dos contratos. Eles foram aprovados pelo Tribunal de Contas do Estado, que atestou não só a legalidade como também a qualidade", disse o diretor do departamento de gestão da cidade, Haroldo Christensen. Porto Ferreira é uma das 34 cidades paulistas citadas pelo empresário Genivaldo Marques dos Santos em seu acordo de delação premiada. Segundo ele, eram pagos 10% do valor do contrato de merenda como propina.

Em Cotia, a propina seria de 16% sobre o faturamento mensal da SP Alimentação na cidade. O dinheiro, segundo Santos, ia para o então prefeito Joaquim Horácio Pedroso Neto (PDT), o Quinzinho. Os pagamentos seriam feitos por dois funcionários do grupo, sempre de acordo com o valor das notas fiscais dos serviços prestados à prefeitura. Além disso, os valores da medição mensal eram inflados em até R$ 20 mil. A Prefeitura de Cotia não se manifestou e o Estado não localizou Quinzinho.

No litoral norte paulista, Santos contou que o empresário Eloizo Durães, da SP Alimentação, teria autorizado o pagamento de R$ 20 mil de propina para José Pereira Aguilar, então prefeito de Caraguatatuba. Os valores dos pagamentos da prestação de serviço seriam superfaturados. A prefeitura informou que não mantém atualmente contratos com fornecedores de merenda. O contrato que existia foi feito pela administração anterior e encerrado em 2009. O ex-prefeito Aguilar (sem partido) afirmou não saber quem são os donos das empresas de merenda. Segundo ele, quem cuidava do contrato em sua gestão era a secretária de administração.

No Guarujá, Durães teria apoiado a eleição de Farid Madi (PDT). A chamada máfia da merenda pagava 13% de propina na cidade, segundo Santos. Farid afirmou desconhecer Santos ou a Verdurama. Por meio de nota divulgada ontem pela atual gestão, a empresa negou pertencer à empresa SP Alimentação.