Título: ONU diz que os 2 lados cometeram massacres
Autor: Chade, Jamil
Fonte: O Estado de São Paulo, 08/04/2011, Internacional, p. A10

Relatório preliminar indica que forças de Gbagbo e Ouattara são responsáveis pelos [br]assassinatos

A ONU apresentou ontem resultados parciais da investigação sobre os massacres na Costa do Marfim. Eles apontam para o possível caráter étnico que o conflito ganhou e destacam que as tropas de Alassane Ouattara, considerado pela comunidade internacional como o presidente legítimo do país, também participaram de execuções.

Luc Gnago/ReutersProteção. Soldados da ONU patrulham ruas de Abidjã No total, ao menos 1,5 mil pessoas teriam sido assassinadas no oeste do país. A ONU desmente que vilarejos inteiros tenham sido queimados no interior da Costa do Marfim, mas confirma que 1 milhão de pessoas deixaram suas casas e 400 mil buscaram refúgio em outros países. Uma equipe da ONU foi enviada a Duekoue, onde ocorreu o primeiro relato de massacre.

"Estes são os fatos concretos: no primeiro incidente, as cem vítimas eram da etnia dioula, que apoia Ouattara, e foram encontradas depois que as forças pró-Gbagbo tomaram a região", afirmou Ivan Simonovic, secretário-geral assistente da ONU, em um relatório. "Em um segundo incidente, 230 pessoas da etnia guerra, que apoia Gbagbo, foram mortos quando as forças de Ouattara controlavam o local."

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, exigiu de Ouattara respostas. O presidente eleito prometeu investigar. Mas, para a ONU, está claro que os crimes estão sendo cometido pelos dois lados. Parte da população de vilarejos cristãos se refugiaram em igrejas. O núncio apostólico na Costa do Marfim, arcebispo Ambrose Madtha, declarou que pelo menos dois cemitérios clandestinos já foram descobertos em duas cidades. "Muitos assassinatos e massacres têm ocorrido, com pessoas sendo queimadas vivas", disse o arcebispo.

Segundo a Oxfam, 4 mil pessoas cruzaram em apenas um dia a fronteira entre a Costa do Marfim e a Libéria. "Temos informações de que pelo menos outros 7 mil refugiados vão na mesma direção", afirmou Shemeles Mekonnen, representante da entidade. "A crise está longe do fim. As pessoas estão com medo de voltar para casa e ser alvo de represálias."

Enquanto a ONU chegava a sua primeira evidência do massacre, o Tribunal Penal Internacional (TPI) confirmou que iniciou as investigações sobre execuções em massa em cidades da Costa do Marfim. Ontem, o governo francês garantiu que tem informações para dar ao TPI, se necessário.