Título: Governo terá mais medidas no câmbio
Autor: Assis, Francisco Carlos
Fonte: O Estado de São Paulo, 09/04/2011, Economia, p. B8

O governo continuará tomando medidas para evitar a alta da inflação e atenuar a valorização do real, mas algumas dessas ações não têm efeito imediato, disse ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega, justificando a queda abrupta do dólar mesmo após as últimas decisões do governo.

O ministro afirmou ainda que o governo "tem uma estratégia bem definida de política econômica. Não tem nenhum improviso."

"Nós vamos continuar tomando medidas porque essa é a filosofia do governo", disse Mantega em seminário sobre os rumos da economia brasileira.

O governo anunciou na quinta-feira o aumento de 1,5 % para 3% ao ano do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre as operações de crédito para pessoa física. Segundo Mantega, o objetivo do governo é moderar o crescimento da demanda das famílias, um dos principais motores da expansão da economia mas que também tem acelerado as pressões inflacionárias.

Um dia antes, o ministro anunciou a extensão da alíquota de 6 % do IOF para os empréstimos no exterior com prazo de até dois anos - dessa vez com a intenção de frear a valorização do real.

Ainda em queda. Mesmo após a medida, contudo, o dólar continuou a cair e alcançou o patamar de R$ 1,57 ontem - o menor desde agosto de 2008 e já próximo de níveis que não são vistos desde 1999, pouco após a adoção do câmbio flutuante.

Segundo o ministro, isso acontece porque "os capitais são muito criativos. Você fecha uma porta e eles abrem outra."

Mas, embora veja a valorização do real como inevitável, ele insistiu que o governo não vai permitir a especulação financeira. "Nós não permitiremos a formação de bolhas no Brasil: nem bolhas no mercado acionário, nem bolhas no mercado financeiro, nem bolhas no setor imobiliário."

No âmbito fiscal, Mantega reiterou que o Brasil vai cumprir a meta de 3% de superávit primário em 2011, e antecipou, sem dar números, que o resultado das contas do governo em março será "muito bom". "Não acreditem naqueles que dizem que não estamos fazendo um resultado fiscal", afirmou.

BNDES. O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse que o principal desafio a ser enfrentado pelo governo é a inflação. Ele fez essa afirmação após participar do evento Mobilização Empresarial pela Inovação, realizado na sede paulista da (CNI.

Coutinho afirmou que o País está vivendo o efeito de choques externos de commodities, cujos preços subiram muito e passaram a pressionar a inflação. "Esse é um desafio que precisa ser enfrentado e a disposição da presidente Dilma de manter a inflação sob controle é muito clara", disse, acrescentando que, ao mesmo tempo, é preciso conciliar o controle da inflação com o mínimo de crescimento e com uma prioridade para os investimentos. /REUTERS

Queda O dólar continua a cair e alcançou ontem R$ 1,57 - o menor nível desde agosto de 2008 e já próximo de níveis que não são vistos desde 1999, pouco após a adoção do câmbio flutuante.