Título: Ex-chavista sai na frente, mas boletim não define rivais do 2º turno no Peru
Autor: Miranda, Renata
Fonte: O Estado de São Paulo, 11/04/2011, Internacional, p. A8
Primeiros resultados oficiais contradizem institutos de pesquisas e apresentam resultado apertado entre os três favoritos, desenhando o cenário da disputa final entre o esquerdista Humala e o governista Kuczynski; filha de Fujimori mantém chance
Eric Danino/ReutersFesta eleitoral. Usando roupas típicas, indígena se dirige à fila da votação em Lima: eleição sem incidentes Contrariando as pesquisas de boca de urna de todos os institutos peruanos e as cifras da contagem paralela - com base em votos reais e critérios estatísticos de amostragem -, o segundo boletim oficial de apuração da eleição peruana, com 43% das urnas, apresentou uma disputa apertada entre os três primeiros colocados.
O nacionalista Ollanta Humala obtinha 26,9% dos votos; o ex-ministro Pedro Paulo Kuczynski tinha 23,6%; e a filha do ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko, vinha em terceiro, com 21,8%.
Números muito distintos, por exemplo, da apuração paralela do Instituto Ipsos, que deu a Humala 31,8%; a Keiko Fujimori, 22,8%; e a Kuczynski, 19,6%. As pesquisas de boca de urna do Ipsos e das empresas Datum e Apoyo também traziam Humala na frente - com mais de 30% dos votos - e Keiko em segundo lugar, com entre 3 e 5 pontos porcentuais na frente de Kuczynski.
"Esperemos o resultado final com serenidade", disse o candidato governista, pouco depois da divulgação do boletim oficial. "Tenho certeza de que ele será positivo." "Estávamos mortos e, de repente, ressuscitamos", ironizou, referindo-se aos resultados dos institutos de pesquisa.
Os dois primeiros colocados na votação de ontem se enfrentarão no segundo turno marcado para 5 de junho. Após o anúncio da Justiça eleitoral, Humala - que deve encontrar sérias resistências em firmar alianças com as forças derrotadas no 1.º turno em razão da identificação histórica com o líder venezuelano Hugo Chávez - restringiu-se a um discurso anódino, no qual agradeceu cada região do país e propôs genericamente fazer "concessões" para obter "a união de todos os peruanos".
O grande derrotado do dia foi o ex-presidente peruano Alejandro Toledo, que chegou a liderar as pesquisas, mas não passou da quarta colocação na votação.
O Partido Nacionalista Peruano (PNP), de Humala, também deve obter a maior bancada do Congresso, seguido de perto pelos fujimoristas.
"Tenham a plena segurança de que os resultados serão o reflexo exato da vontade do eleitor", disse no começo do dia Magdalena Chú, chefe da Oficina Nacional de Procesos Electorales (Onpe).
Humala foi o primeiro candidato a votar. Acompanhado da mulher, Nadine Heredia, e de um grande número de seguranças, ele pediu que os eleitores votassem em massa. "Peço aos peruanos que votem com confiança e sem medo", disse ao sair do colégio eleitoral. "Estamos todos a favor da democracia, da consolidação das liberdades civis e da liberdade de imprensa e de expressão."
O candidato, no entanto, foi hostilizado ao chegar no local de votação de sua mulher. "Ditadura não! Democracia sim!", gritavam eleitores a Humala. Apesar de o candidato ter tentado se distanciar de Hugo Chávez durante toda a campanha, eleitores também gritaram para ele: "Chávez não!". Tumultos também foram registrados durante a votação de Keiko e de Kuczynski, mas estavam mais relacionados ao grande número de partidários e jornalistas do que a insultos contra os candidatos.
Nas proximidades dos centros de votação visitados pela reportagem do Estado, a movimentação era intensa. No bairro de Miraflores, integrantes da Guarda Nacional faziam a segurança dos portões de um colégio eleitoral, permitindo a entrada apenas depois que eleitores apresentassem os documentos necessários para votar. Em San Isidro, o trânsito ficou carregado e as filas para votar eram longas, enquanto soldados do Exército armados com fuzis auxiliavam os eleitores. Desde o início da semana, mais de 122 mil militares foram mobilizados para garantir a segurança durante o processo eleitoral, elogiado pelos observadores internacionais.
Resultado parcial
Com 43% das atas de votação apuradas oficialmente, o, segundo turno seria entre Ollanta Humala e Pedro Paulo Kuczynski
26,9% dos votos foram para Ollanta Humala, com grandes chances de ir ao 2º turno
23,6% dos votos eram de para Kuczynski, o candidato do governo
21,8% era a votação de Keiko Fujimori, herdeira do fujimorismo
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