Título: Governador atuou diretamente, mas não evitou a crise
Autor: Zanchetta, Diego
Fonte: O Estado de São Paulo, 19/04/2011, Nacional, p. A4

Vereadores descontentes do PSDB tiveram juntos quase 228 mil votos e eram considerados peças importantes por Alckmin

SÃO PAULO - Os sete vereadores de São Paulo descontentes com a direção do PSDB paulistano obtiveram juntos cerca de 228 mil votos em 2008, um capital eleitoral alto que, entre outras razões, obrigou o governador Geraldo Alckmin a entrar diretamente na negociação na tentativa de evitar o rompimento traumático.

Na dinâmica das eleições municipais, são os vereadores quem fazem o trabalho em busca dos votos do candidato a prefeito na periferia. Segundo apurou o Estado, durante as negociações com os parlamentares, Alckmin chegou a citar como exemplo sua derrota em 2008, afirmando que um dos motivos foi o fato de os vereadores tucanos terem trabalhado por Gilberto Kassab, então no DEM, naquela eleição.

Desde que os vereadores começaram a dar indícios de que não participariam da nova Executiva do partido, a partir da semana passada, o governador percebeu que a crise estava maior do que parecia e que a situação ameaçava perder o controle.

Telefonou diretamente para os vereadores mais próximos e determinou, por meio do novo presidente municipal da legenda, Julio Semeghini, que fosse ampliado o espaço deles na Executiva. Queria um acordo.

Mas os ânimos entre seus secretários e outros tucanos adversários dos vereadores estavam por demais exaltados para uma pacificação. Desde 2008, esses dois grupos mantém uma relação meramente protocolar.

De um lado, aliados de Alckmin que estiveram com ele na derrota de 2008 e que culpam os vereadores pela eleição de Kassab. Do outro lado, os parlamentares chamando esse grupo de "revanchista". Segundo os vereadores, não havia mais a garantia de que teriam a legenda para disputar suas reeleições em 2012.

O resultado foi a perda de controle por parte do governador. O que era para ser uma negociação dura acabou tornando-se uma derrota principalmente para Alckmin, que entrará em 2012 mais fragilizado. Na outra ponta, o emagrecimento da bancada de vereadores do PSDB é interessante para Kassab, que pretende lançar candidato na sua reeleição, caso José Serra não dispute.

O que mais chama atenção entre tradicionais quadros tucanos, no entanto, é que o grupo de Kassab, beneficiado com o racha tucano, entrou com força no cenário político paulista pelas mãos do próprio Alckmin.

Em 2002, quando armava sua chapa para disputar a reeleição, cedeu a vice para o então PFL, partido de Kassab. Foi a primeira vez que o PSDB abriu mão da chapa puro sangue na disputa. A porta se abriu para que, dois anos depois, Kassab fosse vice de Serra na corrida municipal.