Título: Mantega admite medidas para conter o real
Autor: Modé, Leandro
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/07/2011, Economia, p. B1

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem, em Londres, que existe preocupação com a valorização do real. Segundo ele, novas medidas podem ser tomadas para segurar o câmbio. "Medida cambial a gente não antecipa, a gente anuncia", disse a jornalistas. Ele lembrou que o governo já agiu no mercado de câmbio spot (à vista) e nos futuros e poderá voltar a adotar novas ações.

Para Mantega, o movimento de valorização do real esta ligado à estratégia monetária registrada nos países desenvolvidos. "O QE2 (a política de injeção de recursos na economia americana) acabou, mas ainda existe expansão monetária", afirmou. O ministro reforçou que o câmbio é uma preocupação para o governo, ao responder sobre a necessidade de novas altas dos juros para conter a economia. "Estamos planejando medidas o tempo todo, mas não posso antecipar", disse, sobre a possibilidade de nova ação no câmbio.

Mantega participou pela manhã de um seminário fechado à imprensa sobre as oportunidades de investimentos no Brasil organizado pelo banco BTG Pactual. Ele disse que passou a visão que o Brasil segue ritmo de crescimento sustentável, sem superaquecimento, com mercado de consumo sólido, investimentos crescentes e resultados positivos no mercado de trabalho.

O ministro também avaliou que a situação fiscal está melhorando em relação ao período de expansão registrado durante a crise. Em 2011, o Brasil registrará déficit fiscal pequeno, menor do que a maioria dos países, frisou.

Economia quente. Mantega afirmou ainda que a economia brasileira está "quente", e não superaquecida. "São coisas diferentes, o crescimento já foi ajustado para uma faixa entre 4,5% e 5%". Ele reforçou que a economia está desacelerando e a inflação vem caindo. "O próximo IPCA virá baixo e seguirá baixo pelos próximos meses." Ao ser questionado sobre se o processo de desaceleração era suficiente para impedir novas altas de juros, Mantega afirmou que "o BC fará o que for necessário para manter a inflação sob controle".