Título: EUA podem ter acordo sobre teto da dívida
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Fonte: O Estado de São Paulo, 13/07/2011, Economia, p. B14
Senador republicano faz proposta que permitiria a Obama elevar o limite de endividamento sem precisar da autorização do Congresso
Republicanos e democratas parecem estar a caminho de um acordo para permitir que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, eleve o teto da dívida pública do país. O governo atingiu o limite de US$ 14,3 trilhões na semana passada e profissionais do Departamento do Tesouro têm recorrido a manobras para conseguir honrar os compromissos sem um endividamento adicional.
A proposta dos republicanos é dar a Obama o direito de subir o teto sem precisar de autorização especial do Congresso. Em troca, eles querem que o governo democrata corte despesas, especialmente em programas sociais. O movimento surpreendeu os analistas políticos e econômicos, pois, até boa parte do dia de ontem, os republicanos mantinham-se irredutíveis em sua posição - de só permitir a elevação do limite se houvesse drásticos cortes orçamentários.
A proposta foi apresentada pelo senador da minoria republicana, Mitch McConnell, do Kentucky. Em uma primeira avaliação, a proposta do senador parece representar apenas uma mudança técnica, pois, na prática, permite que Obama aumente o teto da dívida do mesmo jeito.
No entanto, da forma como apresentada, a proposta isenta os republicanos de chancelar a expansão da dívida. A conta - econômica e política - ficaria a cargo apenas de Obama.
Pressão. Ao longo do dia, Obama chegou a dizer que não tem como garantir que os cheques da Seguridade Social sejam emitidos em 3 de agosto se os Partidos Democrata e Republicano não chegarem nas próximas semanas a um acordo sobre a questão do limite legal de endividamento do governo.
"Não posso garantir que aqueles cheques saiam se não tivermos resolvido essa questão. Porque, simplesmente, pode não haver dinheiro nos cofres para fazer isso", afirmou o presidente em entrevista à CBS News.
O Departamento do Tesouro disse que tem como manter o governo funcionando apenas até 2 de agosto, a não ser que o Congresso mude o teto da dívida. Nas conversações que estão em andamento, o Partido Republicano vem condicionando seu apoio à aprovação de grandes cortes de gastos.
Os democratas querem elevação de impostos para os mais ricos e o fim de algumas isenções fiscais para grandes empresas. Defendem também a manutenção dos gastos com programas sociais importantes.
Apesar da forte pressão, McConnell ponderou, durante o dia, que os republicanos "serão responsáveis" e vão assegurar que o governo não entre em moratória em 2 de agosto, quando acabam os recursos do Tesouro para pagar as obrigações.
A ausência de um acordo assusta os investidores globais, fazendo disparar os juros nos Estados Unidos e provocando queda das ações, o que poderia levar o país a uma nova recessão.
O presidente da Câmara dos Deputados, o republicano John Boehner, disse que está otimista sobre um acordo, mas afirmou que o aumento do limite da dívida é um problema de Obama.
Apesar da retórica, os investidores assumem que Washington será capaz de evitar uma crise. O rendimento dos títulos do Tesouro (Treasuries) de 10 anos caíram ao menor nível em sete meses na manhã de ontem, refletindo a preocupação maior com a Europa.