Título: Técnicos da ANTT devem substituir demitidos na faxina
Autor: Gallo, Fernando
Fonte: O Estado de São Paulo, 31/07/2011, Nacional, p. A4

O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, avalia colocar dois nomes técnicos da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) no comando do

Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e da Valec Engenharia. Os dois cotados 8ao, respectivamente, Deuzedir Martins e Noboru Ofugi. O presidente da ANTT, Bernardo Figueiredo, tem, inclusive, negociado as indicações com o ministro Paulo Passos e a presidente Dilma Rousseff.

O Dnit deve receber amanha os nomes dos diretores temporários, que ficarão nos cargos enquanto a presidente Dilma define as escolhas. Deuzedir Martins e dado como certo para aparecer nessa relação. Hoje, ele e o preferido de Paulo Passos para a diretoria -geral. Não será surpresa se Deuzedir for indicado para o cargo de maneira "temporária", dentro de uma estratégia para testá-lo e efetivá-lo na indicação oficial que precisará passar pelo Senado.

O ministro gostaria de nomear um diretor-geral interino capaz de ser oficializado mais à frente. Passos, porem, sabe que o nome de Deuzedir ainda não e unanimidade dentro do Dnit.

Técnicos do órgão não o querem sob a alegação de que já respondeu a processos administrativos referentes ao período em que foi coordenador do órgão. Outro problema e convencer oPR, ate então dono da vaga. Por isso, o "teste" temporário pode ser urna alternativa para viabilizá-lo.

Deuzedir até já se despediu de colegas da ANTT. Ele era cotado para ser osecretario executivo do ministério no processo de mudanças na pasta. Na composição das peças, Passos preferiu no­mear Mauro Masella para o car­go e levar Deuzedir para oDnit. Masella é presidente dos Conse­lhos de Administração do Dnit e da Valec e tem sido obraço direi­to de Passos durante a crise.

Homem de confiança.Para a Valec, Noboru Ofugi ganha for­ça para assumir a presidência. Hoje ele e superintendente de serviços de transporte da ANTT e homem de confiança do presi­dente da agência, Bernardo Fi­gueiredo, um petista próximo de Dilma, que tem sido um dos prin­cipais conselheiros da presiden­te durante a crise.

o presidente interino da Valec, Antonio Felipe Sanchez Costa, e considerado carta fora do baralho nessa dança de cadei­ras. Diretor-financeiro, ele assu­miu a presidência após oafastamento de José Francisco das Ne­ves, oJuquinha, envolvido no es­cândalo. Um nome da ANTT no cargo seria uma forma de mos­trar "limpeza" na área.

A crise nos Transportes come­çou no dia 2 de julho apos repor­tagem da revista Veja revelar a existência de um esquema de corrupção na pasta, tendo como foco principal oDnit. Logo em seguida,o governo anunciou oafastamento de Luiz Antonio Pa­got da diretoria-geral, do presi­dente da Valec, José Francisco das Neves, do chefe de gabinete do ministério, Mauro Barbosa, e do assessor Luiz Tito.

O então ministro dos Trans­portes, Alfredo Nascimento, não resistiu à pressão e pediu de­missão. Logo depois, foi a vez do diretor executivo do Dnit, Jose Henrique Sadok de Sá, perder ocargo. Em seguida, mais 14 pes­soas perderam seus cargos.