Título: Concorrentes divergem da avaliação da S&P
Autor: Modé, Leandro
Fonte: O Estado de São Paulo, 09/08/2011, Economia, p. B1

Para a Fitch Ratings e para a Moody"s, os Estados Unidos ainda merecem a nota máxima de crédito

NOVA YORK

As duas principais concorrentes da Standard & Poor"s discordaram da agência de avaliação de risco de reduzir a nota de crédito dos Estados Unidos. As duas afirmaram que os americanos ainda merecem a nota máxima e descartaram uma alteração nos próximos dias.

A Fitch Ratings afirmou que fará uma reavaliação do crédito dos EUA no fim de agosto. "Nosso foco será nos fundamentos do crédito soberano americano e também os prognósticos econômicos e fiscais depois do acordo do dia 2". Na avaliação da agência, "o acordo político para elevar o teto do endividamento foi um importante passo, mas não o fim do processo para garantir o status AAA dos EUA no médio prazo".

Analistas diziam que a agência busca ser mais cautelosa do que a S&P e prefere esperar mais um tempo antes de decidir por reduzir ou não a nota dos Estados Unidos.

Já a Moody"s foi incisiva em manter a nota máxima dos Estados Unidos, citando quatro razões principais: "O tamanho e a diversidade da economia americana; a importância global do dólar; em relação aos outros países com a mesma nota dos EUA, a posição americana não se difere muito; houve um passo na direção correta com o acordo de 2 de agosto".

Normalmente, as agências costumam seguir as mesmas tendências, com todas reduzindo ou elevando as notas mais ou menos ao mesmo tempo. Foi assim na queda do rating da Grécia e na concessão do grau de investimento ao Brasil. No caso americano, houve estranhamento entre os investidores em Nova York sobre as divergências entre as três. Mas a avaliação negativa da S&P pesou mais.

Politização. O caráter político da análise da S&P ficou explícito no comunicado sobre o rebaixamento. A agência argumentou que a dívida pública é crescente e há dúvidas sobre a formulação de políticas "consistentes com nossos critérios". Mas diz que "os demais atributos econômicos, externos e monetários dos EUA, e que constituem a base do rating atribuído ao país, continuam basicamente os mesmos".

A S&P ampara sua decisão na política: "A governança e a articulação política nos EUA estão se tornando menos estáveis, eficazes e previsíveis do que acreditávamos. O texto estatutário da dívida e a ameaça de default tornaram-se elementos de barganha política no debate fiscal. Apesar do largo debate ao longo do ano, entendemos que as diferenças entre os partidos políticos mostraram-se extremamente difíceis de transpor".

Investigação. A Comissão de Assuntos Bancários do Senado americano começou a investigar o rebaixamento da nota de crédito americana pela S&P, disse ontem um assessor parlamentar. Sob anonimato, ele disse que a comissão está colhendo informações sobre as motivações da agência, mas que ainda não há decisão tomada sobre a convocação de testemunhas para depor.

Segundo essa fonte, uma investigação oficial não foi iniciada, mas todas as opções estão sendo cogitadas.

Em nota, o presidente da comissão, o democrata Tim Johnson, disse que a S&P tomou uma "decisão irresponsável"./ COM REUTERS