Título: Pesquisa aponta risco de recessão maior nos EUA
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Fonte: O Estado de São Paulo, 13/08/2011, Economia, p. B4

Para analistas ouvidos pelo ""Wall Street Journal"", possibilidade de o país já estar numa nova recessão é de 13%; para 2012, índice aumenta para 29%

O risco de um segundo mergulho na recessão está aumentando fortemente nos Estados Unidos, com a economia enfrentando desaceleração no crescimento e grandes oscilações nos mercados globais. Essa é a conclusão de uma pesquisa que o "Wall Street Journal" fez ao longo da semana passada com 46 economistas.

Para os analistas, a possibilidade de os EUA já estarem em uma nova recessão é de 13%. Já o risco de uma contração na economia em 2012 é de 29% - na pesquisa do mês passado esse índice era de 17%.

Outro estudo que chega à mesma conclusão foi feito pelo Federal Reserve da Filadélfia com 37 especialistas. Para eles, o risco de uma recessão no terceiro trimestre é de 17,2%, e na pesquisa anterior, três meses atrás, esse índice era de 8,5%.

Segundo o Comitê de Datação de Ciclo Empresarial do Birô Nacional de Pesquisa Econômica (NBER, na sigla em inglês), uma recessão se caracteriza quando ocorre "uma queda significativa na atividade em todos os setores da economia, que dura mais do que alguns poucos meses". O problema é que o comitê geralmente só declara uma recessão depois de ela já ter começado há muito tempo.

Alguns economistas dizem que a diferença entre uma recessão e o crescimento extremamente lento registrado nos EUA até agora é praticamente inexpressiva. "A esta altura, nós estamos provavelmente discutindo a nomenclatura e uma segunda recessão está em andamento", afirma Paul Ballew, economista-chefe da Nationwide.

Dados sobre o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA divulgados no mês passado mostram que a recuperação tem sido lenta, com um crescimento anualizado abaixo de 1% no primeiro semestre. O PIB no segundo trimestre teve crescimento de apenas 1,3% e, segundo economistas do Goldman Sachs, pode ser revisado para 0,9%, após um crescimento de 4,4% no déficit comercial do país em junho.

Menos estresse. Aparentemente, o presidente Barack Obama teve ontem um dia menos tenso. Além de receber na Casa Branca a equipe de futebol americano campeã do tradicional Super Bowl, Obama teve um encontro informal com empresários.

"O presidente aprecia o intercâmbio de ideias com o setor privado para compartilhar o compromisso de melhorar nossa economia", declarou a assessoria do governo após o encontro que foi realizado a portas fechadas. Estiveram na Casa Branca, entre outros, dirigentes da Xerox, do US Bank e Wells Fargo e do fundo de investimentos Black Rock.

Entres os dias 15 e 18, Obama sairá em uma caravana de ônibus por Estados do Centro-Oeste americano para explicar a situação econômica e as medidas já tomadas por seu governo e, depois, ficará dez dias de férias. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS