Título: Para governo, crise no Brasil é contornável
Autor: Dantas, Iuri ; Moura, Rafael Moraes
Fonte: O Estado de São Paulo, 17/08/2011, Economia, p. B5
Tombini aposta em queda da inflação e Dilma fala em ""crescimento responsável"" da economia
Diante da incerteza sobre os desdobramentos da turbulência nos mercados financeiros, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, tentou passar tranquilidade a parlamentares ontem, apostando em queda da inflação, ao mesmo tempo em que a presidente Dilma Rousseff garantiu que um "crescimento responsável" da economia pode blindar o País da crise internacional.
Em reunião com cinco deputados e um senador, Tombini disse que a inflação pode recuar nos próximos meses com a queda nos preços internacionais de commodities, segundo relato do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). "Ele acredita que os fundamentos que nos prejudicaram nos primeiros meses do ano vão facilitar a nossa situação mais à frente", disse Cunha.
O BC acompanha o mercado para identificar eventuais canais de contágio da economia brasileira, afirmou o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). "Por enquanto, (o BC) está monitorando, está em observação."
Três participantes da reunião ouvidos pelo Estado contaram que Tombini mostrou-se "tranquilo" diante da volatilidade nos mercados financeiros nos últimos dias. Segundo Cunha, o Banco Central não vê impacto da desaceleração mundial na atividade econômica brasileira neste ano e continua esperando uma expansão de 4% do Produto Interno Bruto (PIB).
Crescimento. No Palácio do Planalto, Dilma reiterou que o País não é uma "ilha" imune à crise, mas pode se blindar diante dos desdobramentos das tensões mundiais se garantir uma rota de "crescimento responsável". Segundo ela, o governo estará pronto para "dar respostas firmes e concretas".
"Apesar de não sermos imunes à crise, podemos cada vez mais nos blindar e fazer com que esse processo de crescimento signifique processo de elevação da atividade econômica, oportunidades, empregos", afirmou Dilma, durante solenidade de anúncio da criação de quatro universidades, 47 campi e 208 unidades de institutos federais de educação, ciência e tecnologia no País.
A presidente voltou a frisar a necessidade de manter investimentos. "Vamos enfrentar a crise da forma mais eficaz de fazê-lo, que é garantindo que o nosso País permaneça no trilho do crescimento responsável, crescimento em que nós nos baseamos, ao mesmo tempo, na ampliação dos investimentos."
Dilma reiterou que, apesar das turbulências, o Brasil se encontra em situação "muito mais robusta" do que em 2008, quando estourou a crise. Destacou que o País possui mais reservas internacionais e mencionou que técnicos da Petrobrás estão sendo treinados para a exploração do pré-sal e que há demanda por trabalhadores em alta tecnologia.
"Essas empresas apostam no Brasil, sabem que os países em desenvolvimento crescerão pelo menos o dobro do que os países mais ricos. Essa é a oportunidade que nós temos, temos de ter consciência do que significamos hoje no mundo", afirmou Dilma.