Título: Emergentes ainda estão superaquecidos, diz FMI
Autor: Moura, Rafael Moraes ; Monteiro, Tânia
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/09/2011, Economia, p. B9

A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, afirmou que as economias estão expostas à inflação

O Fundo Monetário Internacional (FMI) chamou a atenção ontem para o fato de as economias emergentes continuarem superaquecidas e, consequentemente, sujeitas a cavar sua própria instabilidade. No seu mais forte discurso desde junho passado, quando tomou posse, Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI, ressaltou o fato de essas economias estarem expostas às pressões inflacionárias, ao aumento exagerado do crédito e à expansão do saldo negativo em suas contas externas em um ambiente de alto risco de recessão nos países desenvolvidos.

"No nosso mundo interconectado, qualquer pensamento sobre descolamento é uma miragem. Se as economias avançadas sucumbirem, os mercados emergentes não vão escapar", avisou. "Muitas economias emergentes estão enfrentando aquecimento em demasia. Pressões inflacionárias, forte crescimento do crédito, aumento no déficit em conta corrente." Lagarde aproveitou ontem sua participação em um evento em Washington ontem para advertir, nas entrelinhas, sobre a continuidade do preocupante quadro desequilíbrio na economia mundial, passado mais de um ano dos primeiros alertas do Fundo sobre os riscos envolvidos nesse cenário. De um lado, o crescimento exagerado dos países emergentes, estimulado pelas exportações. De outro, a recuperação "anêmica" das economias avançadas.

O FMI não terá melhorias a anunciar na sua reunião de outono, nos dias 23 e 24, em Washington. Lagarde enfocou ontem especialmente o fato de uma "ação coletiva" fazer-se necessária neste momento para evitar o "risco real de as economias avançadas escorregarem para trás" e arrastarem o mundo todo.

A expansão fraca da atividade na Europa e nos EUA e suas contas públicas deficitárias, segundo a líder do FMI, estão alimentando a crise de confiança e restringindo o investimento, o consumo e o emprego. "Esse círculo vicioso está ganhando ímpeto e, francamente, isso foi exacerbado pela indecisão e pela disfunção política", afirmou.

Em tom de apelo, Lagarde pediu aos líderes europeus e americanos para tocarem planos de redução da dívida pública em médio prazo, mas com o cuidado de não prejudicar a recuperação econômica e a geração de empregos. No caso da Grécia, entretanto, cobrou o país de ter adotado apenas uma parte do plano de austeridade fiscal negociado com o FMI e a União Européia no ano passado e exigiu maior empenho.