Título: IBGE eleva em 0,1% estimativa para safra de grãos do Brasil
Autor: Valle, Sabrina
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/09/2011, Economia, p. B8

De acordo com a previsão do instituto, a produção para o ano foi estimada em 159 milhões de toneladas

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reviu ligeiramente para cima (+0,1%), em agosto, a estimativa da safra de grãos do Brasil na comparação com julho. A produção para o ano foi estimada em 159 milhões de toneladas, 6,3% acima da de 2010, um resultado recorde. Dados mais promissores sobre milho e algodão explicam o ajuste positivo. Já a soja, estrela da produção nacional, se manteve estável no mês.

Os resultados de agosto para a segunda safra do milho no Paraná se mostraram melhores do que a estimativa de julho, quando os prognósticos foram pessimistas, já que houve estiagem no plantio, dois dias de geada, que queimou grãos em algumas áreas e, depois, chuva na colheita. Agora, com 70% da safra colhida, a perspectiva para a segunda safra do milho foi reajustada em 6,5%.

Clima. A estimativa para a produção total de milho é de 55,671 milhões de toneladas no ano, enquanto o consumo interno é de 47 milhões de toneladas, havendo portanto excedente para exportação. Ainda assim, o milho foi castigado pelo clima no ano e deve ter um resultado 6,6% inferior ao de 2010.

"Este foi um ano de La Niña, que atrapalha um pouco as condições climáticas", diz o gerente de Agropecuária do IBGE, Mauro Andre Andreazzi. De acordo com ele, houve falta de chuvas no Paraná e excesso na região Nordeste.

Também contribuiu para a melhora da estimativa de grãos feita em agosto a alta de 0,8% no algodão. Com preços em alta, a cultura deve registrar safra recorde este ano, 5,094 milhões de toneladas, superando a de 2007 (4,11 milhões de toneladas). Em relação a 2010, a safra projetada, se confirmada, será 73,8% superior. "O algodão foi a cultura que mais sofreu com a crise de crédito, mas agora se recuperou", afirmou o gerente do IBGE.

A soja, vedete da produção nacional, não apresentou variação em relação ao mês anterior e deve ficar com 74,872 milhões de toneladas, 9,3% acima da safra de 2010.

O café, que em 2011 terá um ano de baixa (a cultura alterna sazonalmente anos de alta e baixa), sofreu ajuste negativo de 1,1% em agosto ante julho. A produção para o ano é estimada em 2,654 milhões de toneladas, uma redução de 7,6% em relação a 2010.

O fenômeno La Niña também prejudicou a primeira safra do feijão, que amargou excesso de chuva no Nordeste, tendo sofrido uma redução de 1,9% no prognóstico de agosto ante o de julho. Ainda assim, a safra de feijão estimada (3,624 milhões de toneladas) é 13,2% maior do que a de 2010.

O trigo teve a estimativa reduzida em 1% em agosto ante julho, com safra projetada em 5,096 milhões de toneladas. O consumo interno foi estimado em 10,422 milhões de toneladas. A produção para o ano deve ficar 15,6% menor, com produtores menos incentivados por causa da piora do preço da commodity no mercado.

Andreazzi diz que os agricultores que resolveram plantar sofreram com a estiagem e as geadas numa fase de desenvolvimento da planta e, depois, passaram por excesso de chuvas e aumento da incidência de doenças no Paraná, principal produtor de trigo no País.

Em alta

9,3% deverá ser o crescimento da safra da soja este ano na comparação com a de 2010. Ao todo, serão 74,872 milhões de toneladas