Título: Sem acordo, TST julga greve nos Correios hoje
Autor: Mendes, Karla
Fonte: O Estado de São Paulo, 11/10/2011, Economia, p. B9
Representantes dos sindicatos se reuniram ontem com o ministro relator para tentar evitar o julgamento do dissídio coletivo no tribunal
A última tentativa de encerrar a greve dos Correios antes do julgamento do dissídio coletivo, previsto para hoje, terminou sem acordo. Representantes dos sindicatos da categoria se reuniram na noite de ontem durante horas com o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Maurício Godinho Delgado, relator do processo, mas o desconto de parte dos dias parados - ponto que os trabalhadores não aceitam - acabou travando mais uma vez as negociações.
Ontem, as 35 assembleias de sindicatos regionais em todo o País rejeitaram a proposta feita na sexta-feira pelo presidente do TST, João Orestes Dalazen, de concessão de abono de R$ 800 e aumento real de R$ 60 a partir de janeiro. Pela proposta, os seis dias descontados na folha de pagamento de setembro seriam devolvidos e descontados a partir de janeiro de 2012, na proporção de meio dia por mês.
Amanda Gomes Corcino, presidente do Sintect-DF, disse ao Estado que o ponto de impasse é o desconto dos seis dias. Com o julgamento do dissídio, porém, todos os dias de greve devem ser descontados, e de uma só vez, conforme advertiu o presidente do TST na semana passada. Esse desconto representaria a perda de um mês inteiro de salário, já que a greve completou ontem 27 dias. O número de correspondências em atraso já chega a 173 milhões.
A decisão de ontem foi a segunda rejeição unânime da categoria de propostas apresentadas pelo TST para por fim à greve. Na semana passada, os sindicatos reprovaram o aumento real de R$ 80 a partir de outubro, que era melhor para os trabalhadores a médio e longo prazos, pois o acréscimo incidiria sobre todos os benefícios, a exemplo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Conforme revelou o Estado na quinta-feira, um racha na base sindical fez com que os sindicatos rejeitassem a proposta acordada entre o comando da categoria, representada pela Fentect, e a estatal perante o TST na última terça-feira. Segundo fontes, sindicatos regionais comandados por PSTU, PCO e PSOL nunca fecham acordo com a ala do PT que comanda a Fentect. Há ainda uma ala do próprio PT e do PCdoB que também bate de frente com a federação.
O acordo era melhor para os trabalhadores, pois a os seis dias descontados da folha de pagamento de setembro seriam devolvidos até terça-feira e o desconto seria realizado a partir de janeiro de 2012, na proporção de meio dia por mês. Os outros dias parados seriam compensados nos fins de semana, até maio de 2012.
Mutirão. O último mutirão dos Correios, realizado neste fim da semana, pôs em dia a entrega de cerca de 22 milhões de correspondências.
Além disso, outros 27 milhões de objetos postais foram triados - preparados para a entrega -, conforme nota divulgada ontem pela estatal.
Nos quatro fins de semana desde o início da greve dos funcionários, iniciada em 14 de setembro, os mutirões foram responsáveis pela entrega de cerca de 47 milhões de cartas e pela triagem de mais 96 milhões de objetos. Aproximadamente 39 mil trabalhadores participaram da iniciativa em todo o País.