Título: Superávit comercial da China volta a cair
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Fonte: O Estado de São Paulo, 14/10/2011, Economia, p. B9

Saldo de US$ 14,5 bilhões em setembro foi menor que o de US$ 17,8 bilhões de agosto e menos da metade dos US$ 31,5 bilhões atingidos em julho

O superávit comercial da China diminuiu pelo segundo mês consecutivo em setembro, com importações e exportações mais baixas que o previsto, refletindo a fraqueza econômica global e o esfriamento doméstico. O resultado também pode diminuir a pressão sobre Pequim para que deixe o yuan se valorizar mais rápido.

O saldo de US$ 14,5 bilhões no mês passado foi menor que o superávit de US$ 17,8 bilhões em agosto e menos da metade dos US$ 31,5 bilhões atingidos em julho. As exportações para a União Europeia caíram ao menor valor desde junho. Tanto as importações quanto as exportações chinesas foram mais fracas que o esperado por economistas numa pesquisa da Reuters.

As exportações cresceram 17,1% em setembro sobre o mesmo mês de 2010, desacelerando após o avanço de 24,5% em agosto, e as importações aumentaram 20,9%, ante alta de 30,2% em agosto.

Ainda assim, o valor das importações e das exportações da China estão perto de máximas recordes.

"O crescimento das exportações em setembro foi muito menor do que as expectativas do mercado. Mostrou a vulnerabilidade da economia externa e a expectativa é de que a desaceleração das exportações continue nos próximos meses", disse Wang Hu, analista da Guotai Junan Securities, em Xangai.

Especialistas esperavam que as exportações chinesas crescessem 20,7% no mês passado e as importações, 24,5%.

Os números sugerem que a segunda maior economia mundial está sentindo os efeitos da crise da dívida na Europa e o lento crescimento dos Estados Unidos.

As autoridades chinesas também podem apontar a redução do superávit como uma evidência de que está atuando para lidar com os desequilíbrios comerciais que têm irritado os EUA.

O Senado americano aprovou na noite de terça-feira um controvertido projeto de lei que obrigaria Pequim a permitir que o yuan se valorizasse em relação ao dólar que, segundo os parlamentares, reduziria o déficit comercial dos EUA com a China.

A Casa Branca tem sérias preocupações sobre esse projeto de lei e fará o possível para evitar uma guerra comercial contra a China, disse ontem o embaixador americano na China, Gary Locke, segundo o jornal estatal China Daily. "A Casa Branca tem sérias preocupações... de que muitos elementos violem as leis internacionais de comércio e expressamos essas profunda preocupações aos integrantes do Congresso", disse Locke ao jornal.

A legislação proposta pode mudar "dramaticamente" quando chegar à Câmara dos Deputados, afirmou o embaixador.

O outro lado. Ainda ontem, o Departamento de Comércio dos EUA anunciou que o déficit comercial do país subiu para US$ 45,61 bilhões em agosto, puxado pelas transações com a China.

O déficit comercial dos EUA com a China avançou 7,4% em agosto em comparação a julho, atingindo o recorde de US$ 28,96 bilhões. As exportações americanas para os chineses avançaram 2,9%, para US$ 8,41 bilhões, enquanto as importações subiram 6,4%, a US$ 37,36 bilhões. /AGÊNCIAS INTERNACIONAIS