Título: Casa Branca deve aceitar proposta nuclear de Teerã
Autor: Chade, Jamil
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/10/2011, Internacional, p. A12

É MEMBRO DO CARNEGIE ENDOWMENT FOR PEACE - O Estado de S.Paulo

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, propôs o fim da fabricação de combustível para seus reatores nucleares, se puder comprar esse urânio enriquecido do exterior. Os EUA devem aceitar essa proposta - pública, imediata e incondicionalmente.

Em outubro de 2009, depois de o Irã ter anunciado a intenção de produzir urânio enriquecido a 20%, os EUA tentaram retardar os planos de Teerã. Em negociações em Genebra, os americanos ofereceram uma troca: garantiriam o suprimento de combustível para os reatores iranianos, se o país abrisse mão de pouco mais de uma tonelada de urânio enriquecido. Ahmadinejad aceitou, mas teve de recuar por causa de críticas domésticas.

Independentemente disso, a proposta de troca de combustível não foi uma perda de tempo. Ao fazê-la, Obama provou que estava disposto a trabalhar construtivamente na busca de uma solução negociada e as verdadeiras barreiras que impedem o progresso estão em Teerã. Chineses e russos têm apoiado o Irã nas votações na ONU.

A nova oferta de Ahmadinejad - cessar o enriquecimento de urânio a 20% se o Irã puder comprar combustível do exterior - não é tão boa quanto a original de troca de combustível.

É verdade que representantes americanos fizeram pouco dessa oferta, questionando a sinceridade de Ahmadinejad em público e em particular. Mas, apesar de esse ceticismo ser compreensível, é do interesse dos EUA aceitarem-na, independentemente da intenção do Irã de cumpri-la.

É bem provável que Ahmadinejad esteja blefando. Mesmo que não esteja, ele provavelmente carece da capacidade de forjar um consenso doméstico para um acordo. Assim, é muito provável que a resposta dele seria não. Mas essa recusa prejudicaria a imagem do Irã. Isso fortaleceria a tentativa americana de dar início a uma nova rodada de negociações para definir sanções impostas pelo Conselho de Segurança da ONU, assim como ocorreu quando o Irã abandonou a proposta de troca de combustível em 2009.

Seria necessário aproximadamente um ano para produzir o combustível de que o Irã necessita. Consequentemente, a França deve começar a produzi-lo imediatamente, antes que Ahmadinejad tenha a chance de responder. Isso demonstraria a seriedade do Ocidente e ajudaria a negar ao Irã o único motivo plausível que existe para uma recusa. Além disso, mesmo que o combustível não fosse usado, seria útil tê-lo pronto, de modo que os EUA se vejam em posição de tirar proveito diplomático disso no futuro. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL