Título: Relatório da ONU deve ampliar pressão sobre programa atômico iraniano
Autor: Chade, Jamil
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/10/2011, Internacional, p. A12

Fechando o cerco. Jornal francês afirma que estudo da AIEA anunciará, pela primeira vez, que Teerã pretende produzir uma bomba nuclear; diplomatas ligados à agência das Nações Unidas, porém, confirmam apenas a possibilidade de "documento mais duro"

A pressão internacional sobre o Irã deve aumentar significativamente nas próximas semanas. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) publicará um novo relatório que, no mínimo, deve expressar - apresentando uma série de detalhes - sua "crescente preocupação" com a possível dimensão militar do programa nuclear iraniano, segundo diplomatas ouvidos pela agência de notícias Reuters.

Sem explicitar quais são suas fontes, o jornal francês Le Figaro antecipou ontem que a AIEA denunciará pela primeira vez o caráter militar do programa nuclear iraniano, indicando a construção de uma bomba. Fontes ligadas à AIEA, no entanto, expressaram ceticismo com a versão do jornal - uma vez que o documento ainda não está concluído.

Mesmo assim, a AIEA admitiu ao Estado que a pressão sobre Mahmoud Ahmadinejad depois do documento será ampliada "significativamente". "Será um documento muito forte, com muitos detalhes", admitiu uma fonte da AIEA. Para diplomatas europeus, o documento dará um sinal claro sobre as intenções de Ahmadinejad.

O Figaro chegou a indicar que a AIEA confirmará que o objetivo do programa é mesmo a construção de uma bomba e trará provas da preparação para essa fase do projeto. Na Europa, porém, diplomatas duvidam da capacidade política da agência de chegar a tais conclusões de forma tão aberta. A aposta é que detalhes do programa iraniano serão exibidos com alertas sobre o que eles podem significar.

Há um mês, um outro documento da AIEA indicou que os inspetores estavam "cada vez mais preocupados" com a natureza do programa iraniano.

O documento será tornado público depois de amanhã, numa reunião em que governos terão a autorização de apontar para o Conselho de Segurança Estados que violem regras internacionais. Para europeus e americanos, essa será a ocasião para aumentar a pressão internacional, com novas rodadas de sanções.

Em Paris, o governo insiste que só comentará o documento depois de sua publicação e alerta que a pressão política até lá será forte e constante.

Teerã nega que seu programa vá além dos fins pacíficos de abastecer o país de eletricidade no futuro. Brasil, Turquia, China e Rússia insistem que o Irã tem direito de desenvolver esse tipo de programa pacífico. Mas há anos Washington alerta que isso seria apenas uma cortina de fumaça para um projeto militar.

Em Viena, diplomatas disseram ao Estado que o diretor da AIEA, Yukiya Amano, tem sofrido pressão de vários governos por causa da situação no Irã.