Título: O custo dos investimentos estrangeiros é elevado
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Fonte: O Estado de São Paulo, 26/01/2012, Economia, p. B2

Segundo levantamento da Unctad, no ano passado o Brasil ficou em 4.º lugar como receptor de Investimentos Estrangeiros Diretos (IEDs), e no 2.º lugar, se eliminarmos a aquisição de empresas nacionais por multinacionais. Isso mostra o quanto o País é atraente para investidores estrangeiros, que tiveram papel importante no nosso crescimento econômico.

O Brasil recebe investimentos, mas tem de remunerá-los por meio da remessa de juros e dividendos. Os ingressos de IEDs atingiram no ano passado US$ 66,660 bilhões, com aumento de 12,9% em relação ao ano anterior, mas remeteu, a título de retorno desse capital, US$ 14,747 bilhões. Obteve, pois, um resultado líquido de US$ 54,783 bilhões, com crescimento de 36,5% sobre 2010, pelo fato que os retornos foram menores do que no ano anterior.

Esses investimentos vêm acompanhados de empréstimos intercompanhias, que no ano passado somaram US$ 11,877 bilhões, com crescimento de 41,5%, o que levou as autoridades a pensarem que parte desses empréstimos foi para a aquisição de títulos de renda fixa, fugindo do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Os lucros e dividendos que remuneram esses investimentos são calculados em razão não das entradas efetivamente ocorridas no ano, mas do estoque de capital que, segundo o Banco Central (BC), era de US$ 579,62 bilhões em investimentos e de US$ 80,88 bilhões em empréstimos intercompanhias.

Assim, a remessa de lucros e dividendos representou, no ano passado, segundo o BC, uma saída de US$ 39,971 bilhões, 27,8% maior do que no ano anterior. É difícil calcular com precisão o que é remuneração de fato dos investimentos, pois o estoque varia de um ano para outro, mas verificamos que a remuneração dos investimentos representou 6,5% do estoque de 2010, e a dos empréstimos intercompanhias, 3,1%, dados cujo valor não deve ser recebido como exato, mas apenas servir de comparação para o futuro.

Seria certamente importante avaliar o impacto desses investimentos no aumento do Produto Interno Bruno (PIB) nacional. Verifica-se que 46,6% deles foram para o setor dos serviços, dos quais 4,6% para serviços financeiros. A indústria participou com 38,6% dos IEDs, com 10,4% indo para o setor de metalurgia. No caso do setor primário, 8,8% dirigiu-se para a agropecuária em geral e 0,8% para a extração de petróleo e gás natural.

Parece-nos que se deveria promover uma maior participação dos IEDs nas atividades industriais em geral e, especialmente, nas de ponta.