Título: Dono das próteses PIP é preso na França
Autor: Neeto, Andrei
Fonte: O Estado de São Paulo, 27/01/2012, Vida, p. A14
Empresário Jean-Claude Mas confessou que usava material de baixa qualidade
O ex-proprietário da fabricante francesa de implantes mamários de silicone Poly Implant Prothese (PIP), Jean-Claude Mas, foi preso ontem pelas autoridades da França, após ter sido formalmente indiciado por homicídio culposo pela Justiça.
O empresário é apontado como o principal responsável por um esquema de estelionato baseado na produção de próteses fora das especificações estabelecidas pelas autoridades sanitárias da União Europeia. O escândalo envolve entre 400 mil e 500 mil mulheres em todo o mundo - das quais 25 mil receberam as próteses no Brasil.
Além de Mas, a Procuradoria da República de Marselha também ordenou a prisão do ex-diretor-financeiro da PIP, Claude Couty.
A prisão temporária de Mas, de 72 anos, aconteceu por volta de 7 horas de ontem, na residência de sua família, na cidade de Six-Fours-les-Plages, próximo a Marselha, no sul do país. Policiais do Escritório Central de Luta contra as Ameaças ao Meio Ambiente e à Saúde Pública cumpriram a ordem de prisão da Justiça por uma das duas investigações a seu respeito.
Nesse processo, aberto pelo Ministério Público de Marselha, Mas responde por "homicídio e ferimentos culposos" - ou não intencionais. Mas foi mis en examen - procedimento que, pelas regras da Justiça, tem a mesma força de uma denúncia pelo Ministério Público no Brasil.
O empresário foi algemado e conduzido a uma sede do MP de Marselha. Enquanto sua casa era vasculhada, Mas começou a prestar depoimento. Porém, o interrogatório foi suspenso porque Mas alegou se sentir mal.
Segundo o procurador Jacques Dallest, Mas passou por cirurgia cardíaca há poucas semanas e precisou da atenção de um médico. Ainda assim, ele não havia sido posto em liberdade até a noite de ontem e deveria ser levado à sua primeira audiência com o juiz do caso.
Procurado. O empresário tinha contra si um mandado de prisão lançado pela Interpol quando morava na Costa Rica. Em seu primeiro testemunho, em outubro, quando já havia retornado à França, Mas havia reconhecido que adulterava a fabricação de seus produtos, burlando as normas estabelecidas pela Associação de Monitoramento Técnico (TÜV, na sigla em alemão), assim como seus fiscais.
Nas próteses PIP, o silicone médico era substituído por uma mistura que continua 75% de gel industrial de fabricação própria e apenas 25% de silicone de boa qualidade, de fabricação da companhia americana NuSil.
"Eu sabia que o gel não era homologado, mas eu o usei conscientemente porque o gel PIP era mais barato e de bem melhor qualidade", justificou à época.
Hoje, 20 mulheres afirmam que sofreram câncer no seio depois de terem enfrentado vazamentos de próteses da marca PIP.