Título: Petrobras faz captação recorde de US$ 7 bilhões em bônus no exterior
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Fonte: O Estado de São Paulo, 02/02/2012, Economia, p. B1

Operação despertou grande interesse no mercado internacional; demanda chegou a US$ 27 bilhões, principalmente da Europa e da Ásia

A Petrobrás fechou ontem uma captação de US$ 7 bilhões em bônus no exterior (pouco mais de R$ 12 bilhões, ao câmbio atual), numa operação que despertou grande interesse e surpreendeu até os bancos coordenadores. A demanda pelos papéis, equivalente a US$ 27 bilhões, veio principalmente da Europa e da Ásia. "Foi um recorde de demanda para uma operação de América Latina", disse uma fonte que acompanhou a oferta.

A última emissão da Petrobrás de títulos de dívida em dólar foi de US$ 6 bilhões, há um ano. Também em 2011 foram vendidos £ 700 milhões e 1,85 bilhão em títulos. A estatal precisa emitir títulos com regularidade para financiar seu plano de investimento de US$ 225 bilhões até 2015 para desenvolver o pré-sal.

"A captação ficou no topo das perspectivas otimistas", comemorou outra fonte, ligada à companhia. Desde a semana passada analistas do mercado financeiro especulavam sobre a captação. Inicialmente, esperava-se entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões. Anteontem, circularam rumores de que poderia bater US$ 6 bilhões e ontem a operação foi finalmente fechada em US$ 7 bilhões, uma dinheirama que mexe com as expectativas dos investidores mais que todos os outros dólares que já tinham sido conseguidos neste começo de ano.

No levantamento feito pela Agência Estado, além dos US$ 825 milhões que o Tesouro tomou emprestados em 3 de janeiro - abrindo caminho para operações corporativas -, outros US$ 5,4 bilhões foram emitidos por empresas e bancos privados e públicos. Foram US$ 1 bilhão da Vale, US$ 750 milhões do Bradesco, US$ 1 bilhão do Banco do Brasil, US$ 550 milhões do Itaú Unibanco, US$ 300 milhões da Odebrecht, US$ 700 milhões da JBS, US$ 250 milhões da Braskem, US$ 500 milhões do Banrisul, US$ 200 milhões da CSN e US$ 208 milhões do BicBanco.

Câmbio. Esses recursos, mais o sucesso da Petrobrás ontem, já superam os cerca de US$ 9 bilhões captados em janeiro de 2011, considerado um mês bom naquela ocasião. E isso tem reflexo nas cotações do dólar ante o real. Em janeiro, a moeda americana perdeu 7,29% em relação ao real, enquanto em comparação à cesta de seis moedas seguida pelo dólar Index, a queda do dólar foi de 1,15%. Mesmo que também pese o fato de, em 2011, o real ter sido uma das moedas mais castigadas, o que abre espaço para maior recuperação.

A explosão de demanda pelos títulos da Petrobrás evidencia o grande apetite dos investidores por papéis de companhias brasileiras. "A crise na Grécia ainda preocupa, mas estamos vivendo um momento mais confortável (no mercado de capitais)", disse Pedro Galdi, chefe da área de análise da Corretora SLW. O executivo pondera que, a exemplo de outras companhias, a Petrobrás está aproveitando a atual liquidez internacional e o fato de o Brasil estar sendo bem visto entre investidores.

A captação de ontem, feita pela Petrobras International Finance, braço financeiro da estatal, teve quatro etapas: o lançamento de dois bônus, de três e cinco anos; e a reabertura de dois outros, lançados em 2011, com vencimentos para 2021 e 2041.

A emissão foi bem avaliada pela Fitch, uma das três principais agências de classificação de risco, com rating BBB (exp). Segundo a Fitch, os ratings da Petrobrás são sustentados por sua posição de liderança no mercado doméstico de energia, seu conhecimento na exploração e produção offshore e sua importância estratégica para o Brasil. / IRANY TEREZA, ALTAMIRO SILVA JUNIOR, CRISTINA CANAS, MÔNICA CIARELLI E SABRINA VALLE