Título: Consultores dizem que ágio não foi irreal
Autor: Rodrigues, Alexandre ; Ciarelli, Mônica
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/02/2012, Economia, p. B8

O economista Claudio Frischtak, da InterB Consultoria, afirma que o ágio pago pelos aeroportos não foi exagerado. Para ele, o excedente pago pelos vencedores do leilão não é irreal e reflete a demanda reprimida do setor privado por investimentos na infraestrutura do País.

Ele admite que os fundos de pensão estão submetidos a influência política, mas lembra que eles são instrumentos de concentração de poupança privada, algo escasso no País para financiar grandes projetos e reduzir gargalos.

"Com uma inflação de 5,5% e os juros em queda, os fundos precisam de investimentos mais rentáveis. E ir para a infraestrutura é um ótimo negócio, os riscos não são tão grandes. Com a carência de setores como o de aeroportos, não há dúvidas de que a demanda vai aumentar. E ajuda o governo a mobilizar recursos privados para elevar o gasto em infraestrutura do patamar de 2% para a casa dos 6% do PIB", avalia Frischtak.

Alexandre Pierantoni, sócio da consultoria PwC, também vê um movimento crescente das fundações em direção aos investimentos relacionados à infraestrutura, como fundos de private equity. "É um investimento de maior prazo e de menor sensibilidade a movimentos econômicos. As concessões de aeroportos são um bom exemplo disso", observa. / A.R. e M.C