Título: Culpa por kit anti-homofobia afasta petista, afirma dirigente
Autor: Rosa, Vera ; Monteiro, Tânia
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/03/2012, Nacional, p. A4

Para secretário-geral do PRB, partido questionou política de ex-ministro e, por isso, não tem como apoiá-lo nem no 2º turno

Secretário-geral do PRB no Estado e um dos coordenadores da pré-campanha de Celso Russomanno à Prefeitura, o deputado estadual Gilmaci Santos rechaça qualquer aliança com o ex-ministro Fernando Haddad, em 1.º ou 2º turno. "Não temos condições de fazer coligação com o Haddad. O partido fechou questão. Nem se discute mais." Para o parlamentar, a polêmica sobre o kit anti-homofobia que seria distribuído na rede de ensino público impede a união de seu partido, ligado aos evangélicos, com Haddad, embora a sigla tenha sido parceira do PT em outras eleições.

A nomeação do senador Marcelo Crivella passa pela eleição paulistana? O PT está tentando tirar o pré-candidato do PRB da disputa?

Não se condicionou sequer uma vírgula. Dissemos para a Dilma o seguinte: o Crivella iria para o ministério desde que, de forma alguma, houvesse intervenção do Planalto em São Paulo. A candidatura do Celso está mantida. Se amanhã houver algum movimento do PT sobre isso, tenha certeza de que entregamos o ministério.

O sr. tem conversado com diversas lideranças. Conversou com o deputado Gabriel Chalita...

...com a Soninha (Francine, do PPS) também. Não podemos nos curvar mais uma vez a PT e PSDB. Tem que ser criada a terceira via. Vamos começar a trabalhar, e sem a prepotência de querer ser a cabeça de chapa. Estamos com a cabeça aberta. Com a Soninha, com o Chalita, os outros candidatos. Chegando na época das convenções, quem estiver mais forte encabeça a chapa para criar uma terceira via em São Paulo.

O sr. conversou com o PT?

Com o PT não tem conversa.

Nenhuma?

De maneira nenhuma.

Por que, se o sr. está conversando com outros partidos?

O candidato do PT hoje... não temos condições de fazer coligação, aliança com o Haddad.

Por quê?

O próprio PRB entrou com aquela questão do famoso kit gay. Sempre criticamos e entendemos que ele tinha culpa nisso. Como é que o PRB vai estar com uma pessoa que está criticando? Tem que ter coerência.

O PRB entende que ele tem responsabilidade na questão do kit anti-homofobia?

Tem 100% de responsabilidade.

Seria possível caminhar com o Haddad em um segundo turno?

Não, também não. Sob nenhuma hipótese. O partido fechou questão. Nem se discute mais.

Mas o PRB não esteve com o PT em 2010?

Sim, caminhamos com o (Aloizio) Mercadante e com a Dilma. O problema não é o PT. É o nome que está colocado.

O Haddad?

Exatamente. Hoje o PRB mantém a candidatura do Celso Russomanno. Contamos a ele, no fim de semana, da nomeação do Crivella. Deixamos claro que especulações iam ocorrer, mas que, independentemente de qualquer coisa, não foi colocada a questão da eleição em São Paulo quando a Dilma pediu que indicássemos o Crivella.

A nomeação é um gesto para acalmar a parte da bancada evangélica que se irritou com o ministro Gilberto Carvalho?

Não vejo dessa forma. O Crivella faz parte, mas não representa 100% da bancada evangélica. Esse gesto da Dilma é um compromisso de campanha com o PRB, não com a bancada evangélica.