Título: Governo já admite saldo comercial menor em 2012
Autor: Moura, Rafael Moraes ; Monteiro, Tânia
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/03/2012, Economia, p. B4

Expectativa de resultado inferior é explicada pela provável redução das vendas externas para a Europa e a China

O governo brasileiro já espera um superávit comercial menor em 2012, em razão do fraco crescimento das exportações, principalmente para a Europa, centro da crise econômica atual. As vendas do Brasil para o exterior devem crescer apenas 3,1% em relação a 2011, para US$ 264 bilhões, segundo a primeira previsão divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

"Temos recuperação nos Estados Unidos, o que é muito importante, mas há um ponto de interrogação em relação à União Europeia, que faz com que sejamos mais cautelosos em relação à meta de exportação", disse o secretário executivo do ministério do Desenvolvimento, Alessandro Teixeira.

O governo não faz projeções para o comportamento das importações ou para o saldo da balança, mas já reconhece que o superávit em 2012 ficará abaixo do registrado no ano passado.

Outro fator que deve enfraquecer as exportações neste ano é a queda nas vendas e no preço do minério de ferro, principal produto da balança brasileira. Somente no primeiro bimestre, houve redução de 24% nas vendas em relação a 2011, influenciada também pelo desaquecimento da economia chinesa.

Caso sejam mantidas ao longo do ano as taxas de crescimento das exportações brasileiras vistas no primeiro bimestre de 2012, os Estados Unidos poderão tomar de volta da China a primeira colocação no ranking de países que mais compram do Brasil, segundo o ministério.

No primeiro bimestre do ano, as vendas de produtos brasileiros para os Estados Unidos cresceram 38%. As exportações para a China ficaram praticamente estáveis. Com isso, a participação dos americanos superou a do país asiático.

Um dos itens que impulsionaram os embarques brasileiros para o mercado americano foi o petróleo, produto que deve ganhar destaque na balança, segundo o governo. Outro item que segue ganhando participação é a soja, cujas vendas cresceram quase 600% no bimestre.