Título: Arno ocupa mais espaço na equipe econômica
Autor: Veríssimo, Renata ; Fernandes, Adriana
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/04/2012, Economia, p. B10
Dilma amplia participação do secretário do Tesouro no debate de assuntos econômicos
Em um estilo marcadamente diferente do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente Dilma Rousseff promoveu um reequilíbrio de forças na equipe econômica. Em meio a rumores sobre disputas internas entre o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e seu secretário executivo, Nelson Barbosa, a presidente ampliou o espaço do secretário do Tesouro, Arno Augustin, nas discussões econômicas.
Augustin tem participando das negociações dos principais projetos do governo e passado boa parte do tempo em reuniões no Palácio do Planalto. Essa aproximação vem ocorrendo desde o ano passado, mas ficou mais nítida no início deste ano. O assunto tem sido objeto de comentários crescentes nos mais importantes gabinetes de Brasília e na área técnica do governo.
Para Mantega, esse novo balanço de forças traz uma situação confortável porque não alimenta os boatos de que o prestígio de Barbosa é tamanho a ponto de ele ter uma influência maior que a do ministro com a presidente. Esses rumores levaram a especulações de que o secretário substituiria Mantega no cargo. Barbosa tem a confiança de Dilma, que tem grande afinidade de ideias com ele, mas o novo papel de Augustin diminuiu a polarização dos principais assuntos econômicos em apenas uns poucos integrantes da equipe econômica.
Segundo fontes ouvidas pela Agência Estado, a presidente não gosta de intrigas, mas alimenta a diversidade de opiniões para amparar suas decisões. Dilma faz questão de ouvir todos os integrantes do governo e aproveita as viagens para um contato mais próximo com a equipe. Na viagem à Índia, esta semana, estava acompanhada do ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, e de Barbosa. Pimentel é outro personagem importante neste equilíbrio de forças.
Amigo pessoal de Dilma, o ministro tem usado sua influência para fazer valer a posição de sua equipe, que historicamente perde as principais disputas com a Fazenda. Pimentel tem defendido mais ousadia para resolver os problemas do setor industrial e do câmbio, que retira competitividade das exportações. A equipe dele apresentou uma proposta de reformulação do financiamento das exportações, conforme antecipou a Agência Estado, que retira boa parte das atribuições da Fazenda nessa área.
Ele também prega medidas mais fortes no câmbio e às vezes é possível identificar em suas palavras um recado de Dilma. No dia da divulgação do relatório trimestral de inflação pelo Banco Central, o ministro declarou que medidas macroprudenciais têm mais efeito no controle da inflação do que o aumento dos juros.
Do lado do Banco Central, a disputa do passado com a Fazenda ficou para trás. Alexandre Tombini mostrou-se mais afinado com Mantega nas decisões de política econômica.