Título: Desmistificando a redução do spread
Autor: Monteiro, Tânia
Fonte: O Estado de São Paulo, 25/04/2012, Economia, p. B4

Nas últimas semanas, o governo iniciou verdadeira cruzada com o objetivo de reduzir as taxas de juros na ponta final do empréstimo. Já era hora, uma vez que o Brasil possui o segundo maior spread do mundo, ficando atrás apenas da simpática ilha de Madagascar. De fato, o spread começou a cair com os cortes de juros pelo Banco do Brasil e pela Caixa, que logo foram seguidos pelos demais bancos. Porém, a história revelada pelos jornais nos últimos tempos não parece nem tão simples nem tão clara. O que o governo talvez não tenha levado em conta ao tomar essa medida é a enorme capacidade que os bancos têm de criar subter-fúgios para continuar a praticar as altas taxas de juros e proteger a sua lucratividade. Um dos artifícios mais comuns em publicidade, frequentemente utilizado nas sensacionais promoções é a nota de rodapé. Os astu-tos publicitários dos bancos anunciam ape-nas as novas taxas mínimas, com notas de rodapé em letras quase imperceptíveis a olho nu que desmistificam o milagre da redução. Algumas dessas minúsculas notas revelam que o milagre dos juros baixos só vale para uma pequena porcentagem. Mais especifica-mente para quem tem conta há X anos, boa relação, ser de certo signo, entre outras. Quem for pedir um tipo de financiamento deve atentar para o custo efetivo da dívida. Sempre que o consumidor se sentir lesado deve procurar seus direitos. A melhor maneira de enfrentar esses subterfúgios e artima-nhas publicitárias é com informação e, sobre-tudo, com educação financeira. ✽ SAMY DANA É PHD EM FINANÇAS E PROFESSOR DA FGV-EESP. MIGUEL BANDEIRA É GRADUANDO EM ECONOMIA PELA FGV-EESP E CONSULTOR