Título: EUA e aliados dizem que lançamento de foguete norte-coreano
Autor: Trevisan, Cláudia ; Paraguassu, Lisandra
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/04/2012, Internacional, p. A12

Ignorando as ameaças internacionais e eventuais sanções, a Coreia do Norte lançou hoje às 7h39 (19h39 de ontem, horário de Brasília) o foguete Unha-3. Pyongyang não fez comentários sobre a operação. EUA, Japão e Coreia do Sul disseram que o lançamento fracassou - o artefato teria explodido um ou dois minutos após deixar a base de Tongchang-ri, perto da fronteira com a China.

"Confirmamos que um objeto foi lançado e caiu no oceano após voar pouco mais de um minuto", afirmou o ministro da Defesa do Japão, Naoki Tanaka. EUA e Coreia do Sul também registraram o lançamento e a queda de um "objeto".

A rede de TV japonesa NHK, citando fontes do Ministério da Defesa do Japão, afirmou que o Unha-3 viajou por 120 quilômetros antes de se partir em vários pedaços e cair no oceano, a 160 quilômetros do litoral da Coreia do Sul. A Marinha sul-coreana informou que já começou as buscas pelos destroços do foguete.

Washington, Tóquio e Seul disseram que, mesmo fracassando, o ato era uma "provocação". O G-8 condenou o lançamento e o Conselho de Segurança da ONU se reúne hoje para discutir o caso. A decisão de levar adiante o lançamento pode isolar ainda mais a Coreia do Norte.

Em Pyongyang não houve comunicado oficial sobre o assunto. Durante a manhã, a TV estatal passava programas sobre canções populares. As autoridades locais haviam colocado um telão na sala de imprensa montada para jornalistas estrangeiros, mas não exibiram imagens do lançamento. Funcionários norte-coreanos, no entanto, disseram que haveria um pronunciamento "em breve".

O Unha-3 era um foguete de três estágios - os dois primeiros têm origem no míssil Taepodong-2, testado em 2006. Pyongyang garante, porém, que ele tinha fins pacíficos e levava um satélite de observação terrestre. O lançamento era parte das comemorações do centenário de nascimento de Kim Il-sung, venerado como pai do povo norte-coreano. Desde 1998, esta foi a terceira vez que o país tentou colocar um satélite em órbita.

Os EUA e seus aliados, contudo, disseram que o lançamento violava uma resolução da ONU que proíbe a Coreia do Norte de realizar testes com mísseis balísticos - é impossível distinguir a diferença entre um lançamento com fins pacíficos de um com objetivo militar.

Washington e Seul acusaram Pyongyang de usar o lançamento para disfarçar o teste de um míssil de longo alcance. Semana passada, EUA e Coreia do Sul ameaçaram derrubar o artefato. A decisão de levar adiante o lançamento levou Washington a cancelar uma doação de 240 mil toneladas de alimentos que havia acertado em troca da promessa de suspensão do programa nuclear norte-coreano incluindo os testes de mísseis.