Título: Para PSDB, medida pode prejudicar poupadores
Autor: Madueño, Denise
Fonte: O Estado de São Paulo, 04/05/2012, Economia, p. B5

Lideranças do PSDB criticaram ontem a decisão do governo de alterar a remuneração da caderneta de poupança. Para os tucanos, a medida pode prejudicar os pequenos poupadores. O movimento, entretanto, foi isolado. Líderes de outros partidos, que compõem a base aliada da presidente Dilma Rousseff, apoiaram a medida.

Empresários também elogiaram a iniciativa. O líder do PSDB na Câmara, Bruno Araújo (PE), afirmou que a nova fórmula de remuneração da poupança pune a parcela mais pobre da sociedade. Para o tucano, uma forma do governo evitar a migração de investidores para a poupança seria reduzir os impostos cobrados nos demais investimentos financeiros. “Para o governo, é mais fácil mexer no dinheiro do cidadão em vez de cortar na própria carne e diminuir os elevados impostos. A mudança afeta especialmente os pequenos poupadores”, criticou o líder tucano.

O senador Alvaro Dias (PSDB-PR), também discordou da decisão. Para o tucano, o governo federal deveria induzir uma baixa das taxas de administração ou reduzir os tributos cobrados sobre os fundos de investimento, como forma de preservar a atratividade desses investimentos. Os tucanos não participaram do encontro com Dilma.

Apoio. Se de um lado os tucanos criticaram, representantes de outras legendas demonstraram mais simpatia com a decisão do Palácio do Planalto. “Todos nós saímos da reunião convencidos da importância da medida”, afirmou o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). “Foi uma reunião curta e grossa, como se diz na minha terra, afirmou o peemedebista, ao comentar o encontro de Dilma com i ntegrantes do Conselho Político. O deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP), que na reunião representou o líder do partido na Câmara, Jovair Arantes (GO), também defendeu a mudança.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deverá se reunir na Câmara com deputados para explicar a mudança. Empresários. A iniciativa do Planalto também foi elogiada pelos empresários que fecharam o ciclo de encontros promovidos ontem por Dilma. O presidente da Cosan, Rubens Ometto, disse que a alteração “resolve boa parte dos problemas”. Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Bradesco, considerou acertada a decisão. “É uma medida impor-tante e boa para t odos, pois preserva os valores já depositados, além da liquidez e da isenção tributária. O produto poupança continua sendo um ativo de grande credibilidade para a população. A mudança na regra é coe-rente com os fundamentos sólidos da economia brasileira e abre espaço para novas quedas da taxa básica de juros.” / COLABORARAM RAFAEL MORAES MOURA, LU AIKO OTTA e LEANDRO MODÉ

PERGUNTAS & RESPOSTAS

Nova remuneração da poupança

1. Como é a remuneração da poupança hoje?

O dinheiro depositado nas ca-dernetas é corrigido mensal-mente pela variação da Taxa Referencial mais 0,5% ao mês de juros. Criada em 1991, a TR é calculada com base na remu-neração mensal média de im-postos, depósitos a prazo dos bancos e títulos públicos.

2. Qual é a nova regra de remuneração?

A remuneração de novos depósitos ou novas cadernetas seguirá a variação da taxa básica de juros (Selic), definida pelo BC. Se a Selic cair para 8,50% ou menos, o saldo da poupança será corrigido em 70% da taxa básica de juros acrescida da TR.

3. O que acontece se a Selic ficar acima de 8,50%?

Se a taxa básica de juros ficar acima de 8,50%, o rendimento da poupança segue a regra atual de correção: 0,50% ao mês, mais a variação da TR. Atualmente, a Selic está em 9% ao ano. O mercado acredita que o juro pode cair para 8,50% em maio ou julho.

4. A nova regra afeta as cadernetas antigas?

Não. Somente os novos depósitos feitos nas cadernetas ou poupanças abertas a partir do dia 4 de maio (hoje). Os saldos registrados até o fim do expediente bancário de ontem seguem sendo corrigidos pela regras antigas de remuneração da poupança.

5. A nova remuneração vale a partir de quando?

A partir de hoje.

6. A caderneta deixará de ser isenta do IR?

Não. A isenção do IR continua valendo na nova regra.

7. Por que o governo definiu que a remuneração da caderneta será equivalente a 70% da taxa básica?

Historicamente, a caderneta de poupança nunca pagou mais do que o equivalente a 70% da taxa básica de juros.

8. As garantias oferecidas aos poupadores seguem nas novas cadernetas?

Sim. Nada muda. Continuam as garantias do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), a isenção do IR, rendimentos mensais e liquidez diária.