Título: Vice da Grécia teme falência selvagem
Autor: Chade, Jamil
Fonte: O Estado de São Paulo, 14/05/2012, Economia, p. B3
A Grécia já admite que pode quebrar em junho se o impasse político não for r esolvido. Ontem, o vice-primeiro-ministro, Theodoros Pangalos, deixou claro que o país entrará em uma fase de “falência selvagem” se não receber mais uma parcela do resgate acordado com a Europa e o Fundo Monetário I nternacional (FMI). O problema é que, para receber o dinheiro, a Grécia precisa pôr em prática as promessas de reformas e ter um governo. Em entrevista ao Sunday Telegraph, Pangalos foi claro: “Es- tou com muito medo do que vai ocorrer”, afirmou. “Há uma escola de pensamento que aponta que os alemães estão blefando quando dizem que não vão nos dar dinheiro se não fizermos as reformas. Mas o que ocorrerá é que eles não darão dinheiro para que paguemos nossas dívidas”, observou. O resultado, disse, é que a Grécia “entrará em falência selvagem, fora do controle”.
Pangalos afirmou que o Estado não terá dinheiro para pagar salários e pensões. “Temos até junho antes de ficarmos sem dinheiro”, constatou, admitindo que duvida que os cidadãos ale-mães estejam dispostos a pagar pelo resgate grego. O impasse ocorre diante de uma tensa negociação entre partidos. No centro do debate está Alexis Tsipras, líder esquerdista do partido Syriza, que afirma rejeitar ser “cúmplice dos crimes dos demais partidos”, em referência à política de austeridade. Pangalos o acusou ontem de seguir a linha de Hugo Chávez. “Você acha que um alemão vai dar dinheiro a alguém que tenta imitar Chávez?”, indagou. O líder conservador Antonis Samaras chegou a acusar Tsipras de “irresponsável”, que está interessado nas eleições de junho, da qual sairia como provável vencedor. “O momento da verdade chegou. Ou formamos um governo ou vamos para novas eleições”, alertou o socialista Evangelos Venizelos, que ainda tem esperanças de acordo.
A chave poderia estar com Fotis Kouvelis, da Esquerda Democrática. Sua proposta é de que partidos se unam para formar um governo que permita ao país permanecer no euro, mas desenhar uma estratégia para se desligar do controle que hoje a Europa e o FMI têm sobre Atenas. O projeto seria o de reconquistar a soberania financeira em 2014. Juntos, a Esquerda Democrática, os socialistas do Pasok e os conservadores poderiam ter 168 lugares no Parlamento, uma maioria. Mas o temor é de que, sem Tsipras, o novo governo não tenha legitimidade para agir e não sobreviva mais que alguns meses. Para Aleka Papariga, do Partido Comunista, a Grécia “caminha para novas eleições”. O tom de inevitabilidade foi dado ontem pela revista alemã Spiegel. “Acropolis, Adieu!”, era a manchete da revista, em meio a ruínas e moedas de euros. A publicação defende a saída dos gregos da zona do euro. “A tentativa de fazer o país sustentável por meio de reformas fracassou.”
Risco iminente