Título: Cruzeiro do Sul pagaria R$ 49 mi a executivos
Autor: Silvar Júnior, Altamiro
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/06/2012, Negócios, p. B13

Valor que seria pago este ano representa mais que a remuneração de toda a cúpula do Banco do Brasil

O Banco Cruzeiro do Sul pretendia pagar R$ 49 milhões este ano para sua diretoria e membros do conselho, mais do que a remuneração de toda a cúpula do Banco do Brasil, que deve receber R$ 40,8 milhões em 2012.

Os executivos do banco, que sofreu intervenção do Banco Central no último dia 4 e está sendo administrado pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), teriam aumento de 30% no salário este ano. Os números estão nos relatórios de referência das instituições entregues à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e que foram divulgados ao mercado nos últimos dias.

O que chama atenção dos especialistas nos números do Cruzeiro do Sul é que os bancos de médio porte costumam gastar bem menos com remuneração da diretoria, até porque têm estrutura mais enxuta que as grandes instituições financeiras. Em média, gastam em torno R$ 25 milhões para remunerar o alto escalão e conselheiros, de acordo com alguns formulários de referência consultados pela Agência Estado.

O Banco Pine, por exemplo, gastou esse valor em 2011. Já o BicBanco teve gastos um pouco acima desse patamar, de R$ 29 milhões.

No ano passado, o Cruzeiro do Sul teve despesas de R$ 38 milhões com remuneração da diretoria e membros do conselho de administração. Do total previsto em salários para 2012, cerca de R$ 29,4 milhões iriam para membros do conselho e R$ 19,6 milhões para a diretoria. A instituição, com sede no Rio de Janeiro, é controlada e administrada pela família Índio da Costa.

Dividendos. O Cruzeiro do Sul distribuiu, entre 2009 e 2011, R$ 232 milhões em dividendos com base nos resultados que estão hoje sob suspeita de fraude. Cerca de 80% desse valor teria sido entregue para os controladores do banco. A história está sendo investigada pelo BC e pelo FGC.

O Cruzeiro do Sul sofreu intervenção do BC no último dia 4, após a descoberta de um rombo inicialmente avaliado em R$ 1,3 bilhão - que pode ser ainda maior. O banco usava vários artifícios para maquiar os balanços e esconder problemas, de acordo com o Banco Central.