Título: Resultado do PIB do BC frustra expectativas
Autor: Nakagawa, Fernando
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/06/2012, Economia, p. B8

A variação de 0,22% do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) em abril aponta para um crescimento de 0,50% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre e de 2% em 2012, afirma o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges. No primeiro trimestre deste ano, o PIB, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cresceu 0,2% em relação ao último trimestre de 2011.

"Se olharmos isoladamente o IBC-Br de abril e o extrapolarmos para os próximos trimestres, chego à conclusão de que o PIB crescerá 0,50% no segundo trimestre", projeta Borges. Ele ressalta, no entanto, se tratar de uma variação pequena que, se anualizada, aponta para uma expansão de apenas 2% no ano. "Trata-se de um crescimento fraco, diante do potencial de crescimento do PIB de 4%", diz.

Para a economista do Banco Santander, Fernanda Consorte, a combinação de crescimento melhor que o esperado nas vendas do varejo e a queda na produção industrial, ambos em abril, explica a alta de 0,22% do IBC-Br no quarto mês de 2012 em relação a março, com ajuste sazonal. Apesar da elevação do IBC-Br, Fernanda vê um cenário negativo para o setor industrial nos próximos meses, o que pode levar o IBC-Br a registrar um resultado pior do que o atual. "Por enquanto, projetamos uma queda de 0,80% na produção industrial de maio", afirma.

AE Projeções. Os resultados do IBC-Br ficaram dentro do previsto por analistas financeiros consultados pelo serviço AE Projeções, da Agência Estado. As estimativas iam de alta de 0,60% a retração de 0,70%. Em relação a abril de 2011, as previsões estavam entre queda de 0,50% a crescimento de 0,80%.

Rafael Bistafa, economista da Rosenberg & Associados, avalia que os dados do PIB brasileiro do 1.º trimestre frustraram as expectativas dos agentes econômicos, que já eram modestas.

Montadoras. Indicadores antecedentes, segundo ele, também sugerem fraco desempenho neste 2.º trimestre. Por exemplo, o setor automobilístico, que tem peso relevante na produção industrial, deve pesar negativamente também na leitura do IBC-Br de maio.

"O consumo das famílias, principal fonte de sustentação da demanda nos últimos trimestres, deve contribuir em menor magnitude no curto prazo. Isso em função de crédito mais seletivo e relativamente alto endividamento familiar", diz.

"O modelo de crescimento pelo estímulo da demanda interna reprimida com farta disponibilidade de crédito, reajustes salariais acima da inflação e da produtividade, portanto, parece indicar certo esgotamento", acrescenta.

"O crescimento da economia como um todo, até o fim do ano, depende do cenário internacional." Para Bistafa, "mesmo com as medidas monetárias e fiscais adotadas, dada a defasagem intertemporal sobre a atividade, devemos ter novamente um PIB frustrante em 2012".