Título: Grécia pode ter limite a saque bancário
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Fonte: O Estado de São Paulo, 12/06/2012, Economia, p. B1
Plano estaria sendo discutido pela UE caso país deixe o euro; um dia depois de resgate a bancos espanhóis, mercados foram cautelosos
Um dia depois de a União Europeia e o Banco Central Europeu anunciarem um pacote de 100 bilhões para as problemáticas instituições da Espanha, as autoridades europeias já estariam debatendo a possibilidade de impor medidas de controle de capital na Grécia para evitar uma onda de saques bancários, caso o país mediterrâneo decida abandonar a zona do euro após as eleições legislativas de domingo.
A informação revelada pela Reuters, citando fontes europeias, foi divulgada pelo jornal El País. Segundo a publicação, a medida, caso confirmada, poderia se estender a outros países que compõem a zona do euro.
A proposta, segundo afirmam as fontes citadas pela Reuters, faz parte de uma série de planos de contingência para possível saída da Grécia da zona do euro, que a UE estaria preparando, apesar das repetidas negativas já feitas pelas autoridades de Bruxelas. Mas, segundo a Reuters, as fontes enfatizam que esses planos são apenas um exercício teórico, por confiarem que, qualquer que seja o resultado das eleições de domingo, a Grécia não deve abandonar a união monetária.
Os mercados financeiros estavam cautelosos ontem à medida que aumenta a tensão na região. Com exceção de Frankfurt, as bolsas de valores fecharam em baixa e os títulos das dívidas da Espanha e da Itália foram negociados mais uma vez a juros elevados.
Em entrevista ao Financial Times, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, voltou a defender que todos os 27 países-membros da União Europeia deveriam submeter seus maiores bancos a um órgão supervisor europeu, como parte de um acordo de união bancária que poderia entrar em vigor já no próximo ano.
Aliada à grave situação dos bancos espanhóis, a crescente incerteza política na Grécia após a eleição inconclusiva de 6 de maio e a necessidade de planos de contingência aumentaram. Na ocasião, nenhum partido obteve maioria absoluta e as negociações para formar um governo de coalizão fracassaram.
Agora, com o avanço do partido de extrema esquerda, Syryza, como apontam as pesquisas, e da possível entrada dos neonazistas do Aurora Dourada no Parlamento, aumentaram os temores de que a Grécia finalmente opte por renegar o programa de resgate da UE e do Fundo Monetário Internacional (FMI), o que implicaria deixar a zona do euro.
Além de limitar as retiradas em dinheiro vivo e a imposição de controles de capital, foi discutida a possibilidade de suspender o Tratado de Schengen, que permite a livre circulação de pessoas e mercadorias entre os países da União Europeia.
"Os planos de contingência foram pensados para o caso de a Grécia sair", admitiu uma das fontes. Mesmo tendo também reconhecido que não foi analisado se existe uma base jurídica para impor tais medidas. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS