Título: Para a CNI, desaceleração já afeta índice de emprego
Autor: Silva, Cleide
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/07/2012, Economia, p. B1
Novos dados sobre a indústria brasileira mostram que o setor deve ter fechado o segundo trimestre com indicadores de produção e emprego abaixo dos verificados nos três primeiros meses do ano. O uso da capacidade do setor caiu pelo quarto mês consecutivo em maio e chegou ao menor nível desde setembro de 2009 (80,7%), de acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Além de produzir abaixo da capacidade, a indústria registrou queda no nível de emprego e nas horas trabalhadas, em relação ao mesmo período de 2011, pelo segundo mês seguido. O indicador de horas é o que mostra maior queda, pois muitos empresários optam por férias coletivas e turnos menores para não demitir, diz a CNI.
Entre os indicadores industriais divulgados pela confederação, apenas o faturamento mostra recuperação em relação ao ano passado. Isso ocorre porque os incentivos ao consumo contribuíram para elevar as vendas. A produção, no entanto, não reage, pois os estoques continuam elevados.
Um exemplo desse movimento se dá no setor automotivo, que vende mais por conta do imposto menor, mas registra queda na produção. Em relação a abril, todos os indicadores recuaram, exceto o emprego, que ficou estável.
Os dados confirmam os números do IBGE divulgados nesta semana, que também mostraram cenário de maior retração da indústria. Na quarta-feira, a presidente Dilma Rousseff afirmou que vai "virar esse jogo", mas muitos economistas esperam resultado fraco para o setor, apesar dos incentivos do governo.
"As dificuldades são mais profundas", disse o gerente executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco. "O que pode virar é uma mudança de expectativa, com retorno do investimento. Isso pode acontecer se os estoques se normalizarem ou quando as condições se tornarem mais atrativas, com redução do custo do investimento", afirmou o economista.
A confederação já vê um semestre perdido, com base nos dados até maio, e disse que vai rever para baixo a previsão de crescimento do setor neste ano feita em março, que era de 2%.
Segundo Castelo Branco, os números do segundo trimestre estão frustrando as expectativas do setor, que esperava melhora na crise externa e reação por conta das medidas do governo.