Título: Amigo diz que Pedro Caroço é injustiçado
Autor: Junqueira, Alfredo
Fonte: O Estado de São Paulo, 23/07/2012, Nacional, p. A8
Amigo da época em que Dirceu se refugiou em Cruzeiro do Oeste, Teodorico Picinatto, o Kiko, defende o ex-ministro com base no "Zé" que conheceu - na época, "Carlos Henrique Gouveia de Mello". Fala de um homem simples, discreto e honesto.
A passagem de Dirceu por Passa Quatro - o ex-ministro esteve na cidade mineira na semana passada - parece a Picinatto mais que uma visita à mãe. "Ele deve estar se sentindo humilhado, nada melhor que colo, carinho e conselho de mãe", disse Kiko, de 59 anos, um dos primeiros a se aproximar de Dirceu na cidade.
Kiko era vizinho da república em que o ex-ministro viveu quando chegou à cidade e esteve com ele em momentos marcantes, como no nascimento do filho Zeca. "Ele tinha me chamado para pescar e, quando voltamos para a minha casa, minha mãe disse pra ele: "Carlos, corre para o hospital que seu filho nasceu"."
Quando estão juntos, Kiko chama o ex-ministro pelo apelido da época, "Pedro Caroço", personagem da música Severina Xique-Xique, de Genival Lacerda. "A brincadeira começou porque ele ficava sentado no boteco, olhando a Clara trabalhar na loja de frente". Quem começou a brincadeira foi o ex-sócio de Dirceu na loja Magazine do Homem, o já falecido Wilson Belini.
A mentira sobre sua identidade não abala a confiança de Kiko, para quem Dirceu é vítima de injustiça. "Não tem como provar nada contra ele." Os encontros esporádicos ocorrem sempre que Dirceu passa pela cidade e são regados a conversas sobre futebol e casos do passado.