Título: Agente federal que atuou na Monte Carlo é assassinado no DF
Autor: Bergamasco, Débora
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/07/2012, Nacional, p. A7

Wilton Tapajós foi atingido por dois tiros; principal linha de investigação apura se crime seria uma 'queima de arquivo'

Um agente da Polícia Federal que trabalhou nas investigações da Operação Monte Carlo foi assassinado ontem à tarde no cemitério Campo de Esperança, em Brasília. Wilton Tapajós Macedo, o "agente Tapajós", levou dois tiros na cabeça e morreu no local. A Polícia Federal e a Polícia Civil do Distrito Federal investigam o crime. A operação Monte Carlo revelou as atividades do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso desde 29 de fevereiro.

Uma das linhas de investigação considera que Tapajós pode ter marcado encontro com um informante dentro do cemitério. Os assassinos fugiram no carro de Wilton, um Volkswagen Gol. Um coveiro presenciou o crime e avisou a polícia. Wilton foi encontrado próximo ao túmulo de seus pais. Os policiais que investigam o caso não sabem ainda se ele estava visitando o túmulo ou se foi morto em uma emboscada, ao ter marcado o encontro nesse local.

O inquérito é de responsabilidade da Polícia Civil, mas a PF vai participar de todas as investigações, inclusive com pessoal e equipamentos de inteligência. Embora a principal linha de investigação seja queima de arquivo, em razão do perfil de Tapajós, por ora nenhuma hipótese está descartada, segundo informou o presidente do Sindicato dos Policiais Federais (Sindipol), Jones Borges Leal. "Seria irresponsável bancar desde já uma hipótese de autoria."

Ele não descarta que possa se tratar também de latrocínio, vingança ou outra causa. Com 54 anos de idade e 24 de atuação na PF, Tapajós tinha perfil de policial de ponta. Nos últimos anos, Macedo estava vinculado à Diretoria de Inteligência. A PF não confirma oficialmente que ele participou das investigações da Monte Carlo. O desmantelamento da organização criminosa de Cachoeira levou à prisão e indiciamento de dois delegados da PF em Goiás e um agente da mesma área de inteligência de Tapajós, em Brasília.

O policial militou também na diretoria do Sindipol e, na última eleição, tentou se eleger deputado distrital pelo PTB, mas obteve apenas 188 votos e foi derrotado. As primeiras informações indicam que Tapajós estava armado, mas não chegou a reagir. Autoridades ligadas à Monte Carlo já foram alvo de ameaças.