Título: Nada permite pensar que a economia vai melhorar
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/07/2012, Economia, p. B2

Segundo alguns analistas, o Banco Central considera que no próximo ano a economia irá muito melhor e, em particular, ao contrário do que previra no Relatório de Inflação, o aumento do IPCA, índice oficial da inflação, não aumentará mais do que se espera para 2012.

Já o último Relatório de Mercado (Focus) mantém a previsão de um IPCA, em 2013, de 5,50%, ante 4,87% neste ano. Estamos céticos com relação às previsões do Banco Central, pois diversos fatores tenderão a elevar as pressões inflacionárias.

Há um certo consenso de que, concluído o período das eleições municipais, o governo cederá à pressão da presidente da Petrobrás para elevar o preço da gasolina para o público, não havendo mais possibilidade de compensação por meio de redução do imposto, que já está zerado. A elevação do preço da gasolina tem efeito sobre uma série de setores, a começar do transporte público, que afeta particularmente a população. É provável outra elevação do preço do diesel, que afetará o custo dos transportes e será transferida aos consumidores.

É difícil acreditar que a elevação da taxa cambial não seja transferida para os preços pagos das mercadorias. Se até agora isso ficou muito limitado, foi em razão dos grandes estoques da indústria, inclusive de produtos importados, e dos efeitos da crise nos países desenvolvidos que exportam para o Brasil e aceitaram reduzir temporariamente as margens de lucros.

A diretoria do Banco Central está atribuindo, com razão, grande responsabilidade ao estado das finanças públicas, considerando importante a obtenção do superávit primário previsto para pagar parte dos juros e, assim, reduzir o déficit nominal, que está criando um excesso de liquidez favorável às pressões inflacionárias.

Ora, tudo indica que o governo deixou de querer obter o superávit primário previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e está pronto para abandonar a disciplina nos gastos públicos, que era o que sustentava a confiança externa no País.

A esse cenário nacional cumpre acrescentar o internacional, ao qual o Banco Central atribui a responsabilidade pela deterioração de nossa economia. Nada permite pensar, no entanto, que a conjuntura mundial no ano que vem se apresente melhor que a do presente. Ao contrário, se houver um recuo da economia chinesa, vamos ter no Brasil forte recuo de nossas exportações. Não basta, enfim, reduzir os juros para impulsionar a economia nacional.