Título: Fornecedores que não investirem vão ficar fora do jogo
Autor: Neder, Vinicius ; Nunes, Fernanda
Fonte: O Estado de São Paulo, 14/08/2012, Economia, p. B4

A Petrobrás rebate a tese de que a indústria brasileira tem perdido espaço dentro da companhia. O assessor da presidente Graça Foster para Conteúdo Local, Paulo Alonso, garante que a indústria está acompanhando o crescimento da demanda da empresa. Mas cobra dos fornecedores a missão de desenvolver uma indústria nacional.

"Se eu fosse fabricante e tivesse gargalo com meus fornecedores, trataria de resolvê-los. Os que não investirem em capacidade de produção e inovação, só lamento, mas vão ficar fora do jogo", diz ele, em entrevista ao Estado.

Pode-se falar em aumento do conteúdo local na Petrobrás?

O fato de a Petrobrás exigir conteúdo local com certificação não significa aumento. Trabalhamos com o conceito do conteúdo possível, aquele verdadeiramente factível para a indústria nacional, levando em conta os requisitos técnicos. A disciplina de capital é a primeira das nossas diretrizes. A Petrobrás faz análises de preços com base em estimativas internacionais. Não estamos dispostos a pagar nem um centavo a mais.

Têm ocorrido problemas de custos e prazos em projetos da empresa.

Em alguns projetos pode ter havido um escorregamento deste tipo. Nos projetos do plano de negócios, não. Temos um desafio enorme para botar o pré-sal em operação. Tem de aumentar capacidade de refino cumprindo prazo e custo. Temos sinalizado para os nossos fornecedores essa demanda. Apresentamos estimativa de custo e o prazo. Quem responder à licitação vai ter de se adequar a isso. Se a capacidade não é suficiente, tem que tomar a decisão de expandi-la.

Mas a indústria não estava acompanhando...

Estava. Os fornecedores que não investirem em capacidade de produção e inovação, só lamento, mas vão ficar fora do jogo. Temos indicação de que o mercado tem entendido muito bem esse recado. Se eu fosse fabricante e tivesse gargalo com meus fornecedores, trataria resolvê-los.

Quando se fala em flexibilização, do que estamos falando?

Na Petrobrás essa palavra não existe. Não há flexibilização. O conteúdo local não é um cálculo cabalístico. Quando dizemos que um projeto tem 76% de conteúdo local, está mostrada a memória de cálculo. Tem de apresentar certificado. Não há flexibilização. Há especulações no mercado de que a Petrobrás vai abrir mão do porcentual de conteúdo local para aumentar o volume de contas do País. Isso não existe, é lenda. Não estamos cobrando nem mais nem menos, mas o que é possível.

Quais são os gargalos?

Produtividade dos trabalhadores. Válvulas, fundidos e forjados, esse é um gargalo. Aços especiais, temos problemas de escala. Quando uma indústria começa a fabricar no Brasil hélices, elementos de propulsão, desenvolve toda uma cadeia especializada em volta que atenderá também áreas de refino, E&P e Gás e Energia. É o efeito de arraste. / S.V.