Título: Indústria tem alta ligeira, diz IBGE
Autor: Amorim, Daniela ; Neder, Vinicius
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/09/2012, Economia, p. B4

Produção industrial subiu 0,3% em julho, puxada por setores que tiveram corte de IPI

A produção industrial avançou 0,3% de junho para julho, segundo a Pesquisa Industrial Mensal, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado foi puxado, principalmente, pela fabricação de automóveis, beneficiados pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Outros subsetores que receberam o incentivo também cresceram, como os de eletrodomésticos da linha branca e de artigos de mobiliário.

Alguns analistas enxergaram a segunda taxa positiva na indústria como um sinal de retomada gradual. "Na medida em que as empresas consumiram e ajustaram seus estoques, isso abriu espaço para haver um desempenho um pouco melhor na produção industrial", avaliou o economista Antônio Corrêa de Lacerda, professor da PUC-SP.

O economista acredita que o segundo semestre aponta para recuperação leve, pois ainda há problemas estruturais de competitividade, embora fatores conjunturais aliviem o cenário, como as medidas de incentivo, o câmbio mais favorável e os juros menores. Porém, o IBGE alerta que o crescimento industrial foi apenas "ligeiro" e ainda não recupera as perdas acumuladas.

"Esse segundo mês seguido de alta (da produção industrial) faz com que indústria acumule ganho de 0,5%. Mas, mesmo com essa recuperação, a produção acumulou queda de 2% de março a maio. Então, ainda há um saldo negativo", apontou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

Na avaliação do economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, o resultado na indústria é bom, "dadas as atuais condições da economia brasileira", mas é fruto de medidas temporárias do governo, sem solucionar a falta de competitividade de forma sustentável e permanente.

"Temos de tomar cuidado para não identificar esse resultado aparentemente positivo como se de fato as políticas do governo fossem a solução", alertou Vale, que prevê retração de 2,3% na indústria este ano.

Em julho, apenas 12 dos 27 ramos investigados apresentaram crescimento na produção. Entre os setores que tiveram as maiores perdas estão produtos de metal, outros equipamentos de transporte, farmacêutica, material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações e máquinas para escritório e equipamentos de informática.

"Segmentos que de alguma forma foram favorecidos, especialmente pela redução de IPI, mostram comportamento diferenciado em relação a meses anteriores. Mas isso acaba não tendo efeito de ampliar o crescimento industrial, pois ainda há atividades que não cresceram. Ainda há um predomínio de atividades em queda", afirmou Macedo.

A atividade de máquinas e equipamentos cresceu 3%, refletindo uma melhora no humor dos empresários para investir. Já o avanço no setor de veículos automotores foi de 4,9%, explicado pela retomada dos automóveis, mas sem a adesão ainda de caminhões e autopeças.

A redução do IPI desde 23 de maio aumentou em 8,1% a produção de veículos em junho e julho. Porém, o crescimento ficou muito abaixo dos 45% de janeiro e fevereiro de 2009, período seguinte à primeira redução de IPI nos veículos concedida pelo governo, em 12 dezembro de 2008.

A desaceleração no crédito, o aumento na inadimplência e o maior comprometimento de renda das famílias impedem hoje um impulso maior, ou pelo menos próximo ao de 2009. No entanto, a avaliação é de que a redução de IPI beneficia os setores agraciados enquanto a medida permanece em vigor. Enquanto as vendas de automóveis estiverem aquecidas, a produção deve manter o ritmo de recuperação.

"A decisão recente do governo de prorrogar a redução de IPI sobre veículos por mais dois meses deve manter a indústria automobilística aquecida", prevê Flávio Combat, economista-chefe da Concórdia Corretora, que ainda espera uma queda de 2% na produção da indústria nem 2012.