Título: Economista acredita que novo estímulo vai no caminho certo
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Fonte: O Estado de São Paulo, 08/09/2012, Economia, p. B1

Para Ting Lu, do Bank of America, governo acerta ao estimular a urbanização e aumentar o bem-estar social

A iniciativa do governo de Pequim, ao anunciar um pacote de US$ 150 bilhões voltado para projetos em infraestrutura, faz parte de uma estratégia ampla de estímulo à economia local, que começa a perder fôlego, avalia o economista do Bank of America em Pequim, Ting Lu.

Entre maio e julho, as autoridades chinesas reduziram a taxa de juros. Agora, anunciam investimentos para ativar algumas das regiões que podem ser mais afetadas por um freio na economia.

Para Lu, a iniciativa vai "na direção certa". "Acreditamos que o novo estímulo vai no caminho certo, adicionando a oferta de casas e melhorando a infraestrutura urbana. Esses são dois dos melhores caminhos para segurar o preço de imóveis, acelerar a urbanização e aumentar o bem-estar social."

Nos projetos ferroviários, a meta é a de ter ligações pelo país que atingiriam 7 mil quilômetros, quase cinco vezes o tamanho atual da rede. Regiões menos favorecidas como Qinghai, Xinjiang e Hunan seriam beneficiadas.

No que se refere aos projetos imobiliários - a venda de terrenos pelas autoridades em grandes cidades -, Ting aposta que isso poderá ajudar a frear uma bolha imobiliária e a inflação. "Há um consenso político sobre a necessidade de construir novas casas", indicou.

Em artigo de Stephen Roach, publicado pelo Estado no fim do mês passado, o economista e professor da Universidade Yale já falava que a urbanização chinesa garantiria uma considerável expansão do Produto Interno Bruto (PIB) chinês.

"A fraqueza persistente nos dados recentes intensificou a ansiedade. Muitos agora temem que a China, que por muito tempo vem sendo o motor mais potente da economia global, esteja ficando sem combustível. São preocupações exageradas. Sim, a economia chinesa desacelerou. Mas o recuo foi contido e provavelmente assim permanecerá no futuro previsível. As razões para um pouso suave continuam sólidas."

Urbanização. No artigo, Roach apostava que o governo central jogaria um papel muito maior no financiamento para construção das chamadas habitações sociais, além de investimentos em áreas metropolitanas importantes. "Os pessimistas esquecem um dos motores mais importantes da modernização da China: a maior história de urbanização que o mundo jamais viu", disse o economista.

A urbanização, segundo Roach, não é um crescimento falso. "Ante uma escassez de demanda, seja em razão do choque externo ou de um ajuste interno, como a correção do mercado imobiliário, a China pode ajustar seus requisitos de investimentos liderados pela urbanização."