Título: Os cuidados que faltam no uso do cartão de crédito
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/09/2012, Economia, p. B2
Entre julho e agosto, enquanto caíam os juros do comércio, do Crédito Direto ao Consumidor (CDC) e dos empréstimos pessoais, permaneciam estáveis em 10,69% ao mês, ou 238,3% ao ano, em média, os juros do parcelamento de compras com cartão de crédito, segundo a Anefac. No mês passado, as taxas dos cartões de crédito foram as mais altas desde 2000, quando o juro básico era de 17,5% ao ano - 57% superior ao atual (7,5% ao ano).
A forte expansão do uso de cartões, da ordem de 20% entre os segundos trimestres de 2011 e 2012, é um estímulo ao consumo. Mas, no caso dos cartões de crédito, é fundamental serem usados com mais cautela. Foi o que admitiu no Senado, ontem, o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, ao declarar que é preciso "evoluir na questão do financiamento" via cartão. Cerca de metade do financiamento foi feita "por aquele parcelamento dito sem juros", disse ele.
Hoje, 15% da fatura do cartão é o mínimo que deve ser pago. Tombini admitiu que esse porcentual deveria ser maior. "Mas, no curto prazo, criaria um problema para as pessoas", ponderou. Talvez problema maior seja o das pessoas que se financiam pagando juros astronômicos.
Em 2011, dos R$ 420 bilhões em pagamentos com cartão de crédito, R$ 40 bilhões foram financiados, segundo o BC. E, pelos dados da Boa Vista Serviços, que administra o Serviço Central de Proteção ao Crédito, é no segmento de cartões de crédito que a inadimplência é mais alta (31% dos inadimplentes atribuem os atrasos às dívidas no cartão).
Há cerca de 190 milhões de cartões de crédito em circulação, número semelhante ao da população brasileira. O cartão de crédito é um poderoso facilitador de transações. Permite concentrar num só dia o pagamento das contas e o prazo médio do pagamento é de 26 dias. Há problemas entre clientes e empresas de cartão, tais como o envio de cartões não solicitados, que sujeitaram as administradoras a pesadas multas. A educação financeira sobre os cartões de crédito deveria se transformar em item de política pública, tal o impacto do seu uso inadequado sobre as contas das famílias. Até as administradoras de cartão têm preocupação com o problema.
Persiste, no entanto, um alto grau de insensibilidade sobre o tema. Em 2011, o Banco Central não conseguiu fixar o pagamento mínimo da fatura em 20%.
A cobrança de juros elevadíssimos se deve, em parte, à inadimplência, que seria evitada se a concessão de cartões se limitasse a pessoas com bom histórico de crédito.